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Guerbet vai exportar meios de contraste fabricados no Brasil

Pioneira no mercado global de meios de contraste para exames de imagem, a centenária francesa Guerbet esteve perto de encerrar as operações no Brasil em 2015. Dois anos depois e sob novo comando, a filial brasileira, a primeira fora da França, passou por ampla reestruturação, vai iniciar exportações para a Europa e deve voltar a ser rentável em 2018.

A virada da operação local, que acumulou prejuízos nos últimos cinco anos, começou a se desenhar no fim de 2015, quando a companhia francesa comprou o negócio global de meios de contraste e sistemas de injeção da concorrente Mallinckrodt por € 250 milhões.

Em termos consolidados, a Guerbet praticamente dobrou de tamanho após a aquisição, com vendas líquidas de € 776 milhões no ano passado. No Brasil, ganhou musculatura para fazer frente a gigantes dessa indústria, entre elas a General Electric (GE) e a Bayer, em um mercado cada vez mais concorrido e concentrado por causa da consolidação dos grandes competidores.

A partir da aquisição e da percepção de que o mercado de saúde no país ainda oferece importante potencial de crescimento, a companhia francesa decidiu manter a filial. Na sequência, contratou o executivo Roberto Godoy para levar adiante um processo de reestruturação, finalizado há quase dois meses.

Formado em Ciências da Computação, Godoy tem passagens por empresas como Siemens, Abbott e pela própria GE. De acordo com o executivo, que assumiu a direção-geral da filial em dezembro do ano passado, a forte desvalorização cambial e o não repasse da inflação para os preços tornaram deficitária a operação brasileira.

Uma das primeiras iniciativas foi investir cerca de R$ 3 milhões na reforma e modernização da fábrica instalada na zona oeste do Rio, ampliando a capacidade em 30%. É a única unidade do país voltada ao processamento da matéria-prima importada (compostos químicos) e envase de meios de contrastes.

O investimento preparou ainda a unidade para uma inspeção da agência reguladora da União Europeia, que concedeu há cinco meses a licença que permite exportar para aquele mercado - o que vai ocorrer a partir de janeiro. Hoje, praticamente toda produção é voltada à demanda doméstica. Além disso, com a ampliação da capacidade, a fábrica poderá produzir localmente o portfólio da Mallinckrodt e ampliar o atendimento ao mercado latino-americano.

"Revimos processos e investimos também em pessoas", conta Godoy. A Guerbet tem 200 funcionários no país. Com a instalação de um centro de treinamento a clientes da América Latina, a empresa vai reforçar os serviços oferecidos. "O objetivo é ajudar o cliente a obter melhores diagnósticos."

A crise econômica, que reduziu o ritmo de crescimento do mercado farmacêutico nacional, não chegou a afetar o mercado de contrastes, conforme o executivo. Embora o número de beneficiários dos planos de saúde tenha caído, há tradicionalmente maior procura pela realização de exames em períodos de instabilidade do emprego, mediante o risco de demissão, o que acabou mitigando o impacto inicial. "Vamos fechar 2017 no zero a zero e, em 2018, voltamos ao terreno positivo", afirma.

No mundo, a Guerbet tem nove unidades industriais, incluindo a do Brasil, que é a única na América Latina. Hoje, cerca de 90% dos negócios no país estão no mercado privado. Mas a ideia é ampliar presença também no mercado público. O mercado global de agentes de contraste movimenta por ano cerca de € 6,1 bilhões. O maior mercado está nas Américas, com 46% dos negócios, seguido de Europa, com 27%, e Ásia, com 22%.

Fonte: Valor Econômico