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Philips propõe mais parcerias com hospitais

As parcerias público-privadas (PPPs) são o melhor caminho para aumentar a qualidade e a quantidade dos atendimentos no sistema de saúde brasileiro, segundo a multinacional holandesa Philips, que se oferece para replicar um modelo introduzido pela Bahia em outros governos estaduais e prefeituras no país.
O gasto público com saúde no Brasil chega a 8% do Produto Interno Bruto (PIB), o que não é pouco para economias emergentes, mas está longe de satisfazer à população. Uma pesquisa mundial conduzida pela própria Philips indica que apenas 20% dos brasileiros confiam no sistema de saúde. Nos outros países, 49% dos entrevistados classificam o atendimento médicohospitalar como adequado.
"É um dado preocupante. Não vamos dizer que o Brasil gasta mal. Mas é preciso ter um gasto mais inteligente, com mais tecnologia, focado em produtividade", afirmou ao Valor o vice-presidente para mercados internacionais, Henk de Jong, em português perfeito, aprendido durante oito anos de vivência no país, em duas oportunidades - a última delas como presidente da empresa para a América Latina.
Diante da crise orçamentária em todas as esferas de governo e do teto de gastos da União, que pode restringir os recursos federais aplicados em saúde, as PPPs na área hospitalar surgem como alternativa. A Philips faz parte de um consórcio responsável pela gestão e operação dos serviços de apoio ao diagnóstico por imagem em 12 hospitais da Bahia.
Firmado em 2015, com 11 anos e meio de duração, o contrato prevê investimentos públicos de quase R$ 1 bilhão no período. As redes especializadas em medicina diagnóstica Fidi e Alliar são parceiras da Philips no projeto.
Cabe às empresas reformar, equipar e administrar as unidades com aparelhos de ressonância magnética, tomografia e mamografia, entre outros.
Têm sido 183 mil exames por ano - um aumento de 44% sobre o que vinha sendo oferecido à população baiana antes da PPP. "Muitas vezes o poder público compra um equipamento caro e sofisticado sem extrair todo o aproveitamento dessa máquina", disse De Jong, à margem do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos na semana passada.
O executivo conclama gestores a avaliar essa parceria. "É um caminho muito viável. Os governos estaduais e municipais deveriam prestar atenção. Nós estamos abertos a explicar nossa experiência. Definitivamente, é um modelo que está funcionando e que traz resultados para todos." As eleições de outubro jogam incertezas, mas De Jong minimiza os riscos. "O Brasil tem uma força impressionante para se recolocar e seguir em frente", disse o vice-presidente da Philips, hoje baseado em Amsterdã, que não vê o país condenado a crescer no patamar de 1% a 2% por ano. "De jeito nenhum.
O normal deveria ser - e tem tudo para ser - um crescimento de 3% a 4%." Apesar da marca sólida em eletrônicos e de ter a fritadeira sem óleo mais conhecida do mercado, o ramo de saúde já equivale a 60% das receitas no Brasil. A empresa fabrica equipamentos médicos em Varginha (MG). Na cidade catarinense de Blumenau, onde ela tem 700 empregados na área de tecnologia da informação, foi criado o software Tasy.
Usado por hospitais e operadoras de planos de saúde, o programa de gestão médica já tem 28% do mercado brasileiro, segundo De Jong, com Beneficência Portuguesa e AC Camargo entre cerca de 700 clientes no país.
O software otimiza diagnósticos, alerta sobre a necessidade de manutenção dos equipamentos, economiza tempo de médicos e pacientes. "É um exemplo claro do novo Brasil, onde criamos valor agregado e exportamos para outros países", disse o executivo, ressaltando que o Tasy tornou-se padrão mundial da Philips. "Não é preciso olhar para o Vale do Silício ou Israel [atrás de inovação]." De Jong, que trabalhou no Brasil pela última vez entre 2012 e o início de 2017 para comandar a subsidiária latino-americana, dispensa o inglês na conversa de meia hora em Davos e recorre a uma expressão na língua portuguesa para definir: "Eu era feliz e nem sabia. A capacidade dos brasileiros de superar desafios sempre foi algo que me impressionou", concluiu.

Fonte: Valor Econômico