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Rede Brasil do Pacto Global reúne executivos em SP para discutir combate à corrupção

A Rede Brasil do Pacto Global promoveu na semana passada (16) o workshop “Collaboration Lab – Ações coletivas de combate à corrupção”, na sede do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em São Paulo.

Terceiro encontro do projeto “Ações coletivas de combate à corrupção no setor privado”, o evento deu continuidade às conversas, criando dinâmicas entre os executivos presentes para estimular a formação de parcerias em diversas frentes.

O secretário-executivo da Rede Brasil, Carlo Pereira, ressaltou a urgência de discutir a questão no país. “Por razões óbvias, é um tema que está entre as nossas principais ações. E procuramos trabalhar com a prevenção, pois é assim que podemos gerar maior impacto”, disse.

A assessora de Direitos Humanos e Anticorrupção da Rede Brasil do Pacto Global, Vanessa Tarantini, resumiu objetivos alcançados até então, lembrando que o mesmo projeto é realizado paralelamente na Nigéria, no Quênia e no Japão, com financiamento da Siemens. Ela apresentou resultados da pesquisa coletada no encontro anterior, que demonstraram bom grau de envolvimento e conhecimento dos participantes. “No que diz respeito a ações coletivas, as respostas trazem um consenso de que elas representam um caminho confiável no combate à corrupção”, comemorou.

Leimer Tejeda, gerente do Pacto Global da ONU, apresentou cenários encontrados pelas redes nigeriana, queniana e japonesa. Na Nigéria, por exemplo, calcula-se que a corrupção consumirá, até 2030, 37% do PIB. E um dos maiores desafios para viabilizar as ações coletivas é o financiamento. Ela também deu exemplo do trabalho já realizado em nações como Egito e Tailândia. “O que estamos fazendo aqui hoje é parte de um processo. Portanto, não se sintam pressionados a criar amanhã mesmo uma ação coletiva, ainda mais quando se trata de juntar empresas que, muitas vezes, são concorrentes”, recomendou.

James Allen, sócio-fundador da LAB e responsável pela metodologia do workshop, incitou a plateia a desenvolver conversas ainda mais produtivas do que os exemplos dados por Leimer. “É muito bom saber que nossas ações no Brasil também fazem parte de algo maior, mas será que a gente não gostaria de criar ações ainda melhores aqui?”, desafiou. A provocação motivou os vários grupos – divididos por mesas – a estabelecerem regras simples da interação, progredindo, mais tarde, para a formação de verdadeiros grupos de trabalho.

Reynaldo Goto, coordenador do Grupo Temático Anticorrupção da Rede Brasil do Pacto Global e diretor de compliance da Siemens do Brasil, fez a mediação de dois painéis. O primeiro teve a apresentação de Claudia Taya, secretária de Transparência e Prevenção à Corrupção do Ministério da Transparência e da Controladoria-Geral da União. Ela lembrou os pilares do fomento à integridade, tanto pública quanto privada, destacando a importância não só da fiscalização e da punição, mas também da informação, do reconhecimento dos bons exemplos e da articulação.

“Os órgãos de controle hoje têm um papel fundamental, e a gente vive uma situação no país na qual a gestão de riscos é necessária”, defendeu. Claudia também anunciou um programa, que deve ser lançado nas próximas semanas, com base na conscientização das bases, com o envolvimento de crianças e adolescentes.

Incentivos e pesquisa

Leandro Coutinho, advogado sênior do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e fundador e coordenador do Grupo Compliance Rio, também defendeu que, mais do que impor punições, seria melhor estabelecer incentivos, beneficiando os esforços de se adequar a um programa de integridade. Segundo ele, as ações incentivadas pelo grupo da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), do qual faz parte, seguem esse ponto de vista.

Já Guilherme Donegá, consultor da Transparência Internacional (TI) no Brasil, explicou que a ONG, que ficou uma década sem representação por aqui, retornou em 2016 com a missão de sensibilizar também o setor privado. E para incentivar as empresas a terem um gabarito de práticas éticas, realiza um estudo com as 100 maiores marcas brasileiras.

No segundo painel, Reynaldo Goto sublinhou o aprendizado que todos podem ter com empresas que, recentemente, foram envolvidas em escândalos, como a Petrobras. A estatal foi representada no evento por Marise Barreto dos Santos, gerente geral de Gestão da Conformidade e do Programa de Prevenção à Corrupção. Ela comentou o trabalho feito dentro da empresa para não só responder às alegações a contento, como trabalhar com prevenção e mudança de cultura organizacional.

“Tínhamos nossas ações pulverizadas de compliance (adequação às leis) e agora estamos fazendo ações integradas internamente, apostando na simplicidade”, disse ela, acrescentando que a ação inclui a cadeia de fornecedores.

Compliance na saúde

Por parte da Interfarma, a diretora Maria José Delgado descreveu as ações da empresa no tema, destacando a adoção de normas éticas que abraçam também os associados, inclusive médicos e profissionais de saúde.

“Nosso maior desafio é fazer desse código de conduta uma realidade para esses colaboradores, tanto dentro das empresas como para aqueles que estão em campo”, analisou. Esse material foi construído em conjunto por todas as empresas do grupo nos 20 países nos quais está representada, observando as leis nacionais. Hoje, é o único aceito pelo Conselho Nacional de Medicina e pela Associação Médica Brasileira.

Para o advogado Felipe Kietzmann, coordenador da Comissão de Ética da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (ABIMED), o caminho rumo a um documento ao qual todos os associados adiram e se comprometam a seguir é bastante complexo, pois engloba pessoas de formação e visão de mundo diferentes. “Apesar de sermos uma associação que tem na sua origem a questão do advocacy, tem também um componente muito forte de autorregulação, que é a palavra do dia”, disse.

Interação e bons resultados

Na segunda parte do evento, os participantes trocaram experiências. Foram formados sete grupos de trabalho com os seguintes enfoques: educação básica, educação em business, financiamento, cadeia de valor, autorregulamentação, diálogo público-privado e iniciativas empresariais de combate à corrupção.

Por duas horas e meia, os participantes se conheceram, definiram a necessidade que cada ação coletiva atenderia, estabeleceram os recursos disponíveis – e quais ainda faltavam – e planejaram os passos seguintes. O resultado surpreendeu. Todas as ideias apresentadas no final da tarde tinham potencial de seguir adiante.

“Ações coletivas são a chave para fazer a mudança cultural necessária, trazendo as pessoas certas para discutir o tema”, avaliou Guilherme Donegá. “Eventos como esse são importantes para unir vários setores. Isso representa uma quebra de certos paradigmas, trazendo visões diferentes e cada um contribuindo do seu modo”, opinou Ariadne Souza, da Alliance for Integrity.

“O encontro conseguiu juntar grandes empresas com dilemas parecidos e nos deu a oportunidade de falar sobre o tema de maneira aberta”, apontou Eduardo Staino, diretor de Compliance da Andrade Gutierrez.

“O momento do Brasil abre uma janela de oportunidades para as empresas discutirem o assunto com franqueza”, concordou Felipe Starling, gerente regulatório e institucional da Anglo American. Ao se despedir, Reynaldo Goto motivou os participantes a continuar abraçando as ações coletivas sugerida ou até criar novas. “Que essas ideias não morram aqui”, finalizou.

Fonte: Portal ONU BR