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Balança deve encolher com foco maior em produtividade

O Ministério da Economia espera um superávit de US$ 50,1 bilhões para a balança comercial deste ano. O resultado representa uma retração de 13% em relação ao resultado de 2018. A expectativa é de importações crescendo 8% no ano (para US$ 195,8 bilhões) e exportações subindo 2,5% (para US$ 245,9 bilhões). Para a corrente de comércio, a projeção é de aumento de 4,9% em relação a 2018.

Além da abertura comercial do país, o Ministério da Economia pretende colocar em prática uma série de medidas voltadas ao comércio exterior decorrentes de mudanças de visão trazidas pelos novos integrantes. A pasta pretende dar menos atenção à "obsessão" pelas exportações no saldo da balança e mais à corrente de comércio - que soma embarques e importações. No relacionamento com outros países, planeja buscar acordos com nações desenvolvidas, baixar tarifas de importação do Mercosul e revisar as chamadas barreiras não tarifárias.


A maior importância à corrente de comércio representa uma espécie de mudança em relação ao tratamento dado pela pasta anteriormente, quando se comemoravam fortes superávits. O secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, afirma que a corrente de comércio deve ser mais valorizada pois "puxa" a produtividade do país para cima. "A maior evidência empírica mostra que o que está ligado ao crescimento da produtividade é a corrente de comércio e o quão inserido você é. É isso que puxa a produtividade para cima, não o saldo comercial", disse.

Em sua visão, importar melhora a eficiência na alocação de recursos e gera ganhos de produtividade. Além disso, ainda facilitaria o acesso a bens mais baratos e com maior conteúdo tecnológico, elevando a competitividade das exportações.

No relacionamento com outros países, primeira diretriz é buscar tratados "Norte-Sul". "Ou seja, acordos com países desenvolvidos, que é o que mais traz ganhos", disse. Com isso, sairia de cena a agenda "Sul-Sul".

O próprio Mercosul deve ser influenciado, já que a segunda grande diretriz do governo para o comércio exterior são mudanças para o bloco. O Brasil iniciou um debate com os demais membros para implementar uma "normalização" de tarifas de importação da região e aproximá-las das praticadas com nações de igual desenvolvimento.

O terceiro ponto a trabalhar é a facilitação do comércio por meio da revisão do que chamou de "barreiras não tarifárias". Para ele, é preciso diminuir principalmente atrasos em portos, que geram custo ao importador maior que as próprias tarifas.

É correto o diagnóstico do secretário, de que a corrente de comércio é mais importante do que o saldo da balança, afirma Bruno Lavieri, economista da 4E Consultoria. Por isso, o Brasil precisa dar seguimento à agenda de abertura comercial, mas o problema é que essas medidas só têm efeito no longo prazo, disse.

O saldo da balança em março, de US$ 4,99 bilhões, foi 22% menor que o do mesmo mês do ano passado. As exportações caíram 1% e as importações cresceram 5,1%.

As exportações têm sido afetadas entre outros motivos por menores preços frente à desaceleração global. Entre os produtos impactados está a soja - um dos principais das vendas brasileiras. A barreira chinesa à commodity americana ampliou os estoques nos Estados Unidos e também contribuiu para baixar os preços globais. Além disso, segundo especialistas, a cotação menor da oleaginosa se deve à queda dos prêmios pagos nos portos brasileiros de embarque, uma vez que a oferta nacional é ampla em razão do avanço da colheita da safra 2018/19, e ao fato de a relação global entre oferta e demanda estar confortável.

A redução de 3% das exportações no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado pelo critério de média diária ostra um início de ano mais fraco do que o previsto para as vendas externas brasileiras, avalia Silvio Campos Neto, especialista em comércio exterior da Tendências Consultoria.

Como as importações também surpreenderam negativamente, ao recuarem 0,7% de janeiro a março - para US$ 42,1 bilhões -, o efeito sobre o saldo da balança foi neutro, diz Neto, mas o desempenho da corrente de comércio evidencia uma retomada mais lenta da atividade. Assim, os dados do primeiro trimestre colocam algum viés de baixa na projeção para o ano de saldo positivo de US$ 50,5 bilhões para a balança comercial brasileira em 2019, disse.

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