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Câncer de Próstata: tecnologia quebra tabus e promove cura

O tumor da próstata é, no Brasil, o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Porém, quando descoberto em estágio precoce as chances de cura e de manutenção da qualidade de vida dos pacientes são bastante expressivas, chegando a 90% dos casos. Para destacar a importância desse cuidado antecipado, muitas vezes evitado em razão do preconceito quanto ao exame de toque, e mostrar o quanto o acesso à tecnologia tem contribuído para essa cura, a Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (ABIMED) está engajada no movimento Novembro Azul de combate à doença.


Como no Outubro Rosa, a Associação promoveu a webcast “Novembro Azul ABIMED – Tecnologia, Detecção, Cuidado e Tratamento do Câncer de Próstata”, que debateu o tema abordando desde experiência de pacientes que enfrentaram a doença até o que há de mais moderno em termos de tecnologia à disposição para o tratamento e cura.  Participaram o médico e professor de Cirurgia Robótica e Laparoscópica do Departamento de Cirurgia Disciplina de Técnica Cirúrgica e Cirurgia Experimental da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Dr. João Manzano, o presidente-executivo da ABIMED, Fernando Silveira Filho, a diretora do Conselho de Administração da Associação e presidente da Phillips, Patrícia Frossard. O evento contou com a moderação do jornalista Luís Artur Nogueira.


Para Fernando a iniciativa, mais uma vez, procurou abrir espaço para o debate sobre tratamentos de diversas comorbidades. O objetivo foi mostrar o impacto positivo da tecnologia para a saúde na vida da população, promovendo conversas entre a indústria, médicos e pacientes.


Muitas são as histórias de superação e sucesso na luta contra o câncer de próstata, especialmente quando o exame preventivo é feito. Djalma Vicente de Souza, de 64 anos, é um destes exemplos. Ele descobriu a alteração da próstata através do PSA em um dos exames periódicos que realizava em seu trabalho, sendo aconselhado a procurar um urologista. Mesmo sem sentir nenhum sintoma como dor, desconforto ou dificuldade para urinar, seguiu a orientação e procurou um especialista.


“Encontrei um profissional que me orientou a aguardar 15 dias em repouso absoluto para repetir todos os testes.  Após esse período, continuei na busca por este diagnóstico fazendo vários exames de imagem e consultas, onde foi descoberto através de uma biópsia o câncer de próstata. De doze fragmentos da biópsia, foi detectado positivo em duas partes, ou seja, foi descoberto bem precoce o que me deu maior segurança e esperança do tratamento”, explicou. 


“O médico havia me dado duas opções para tratamento, me explicando que a retirada total da próstata seria o tratamento ideal, pois as chances de cura seriam maiores com menos sofrimento pelo uso de quimioterapia ou radioterapia. Desta forma, optei pela retirada total da próstata, apesar dos meus medos. Após a cirurgia, fiz o acompanhamento por cinco anos, através do exame PSA, sendo o primeiro ano a cada 3 meses e a partir do segundo ano a cada 6 meses. Hoje, encontro-me curado e aliviado desta experiência de vida”, completou.


O preconceito e a falta de cuidado com o próprio corpo por parte da grande maioria dos homens são fatores que aumentam a possibilidade de problemas com a próstata e outras doenças. O especialista em Sexualidade Humana (IBMR), mestre e doutorando em Antropologia (PPGA/UFF), André Henrique dos Santos Francisco, é um bom exemplo disso. Em 2007 teve orquiepididimite –inflamação do testículo e do epidídimo – devido a um trauma na área. A falta de atenção quase acabou com sua vida. 


“Ignorei os sintomas iniciais, que não me pareceram tão preocupantes: um leve inchaço e desconforto. Mas meu quadro infeccioso evoluiu, a dor se tornou cada vez maior e tive que passar primeiramente por um extenso tratamento com antibióticos e antiinflamatórios e, por fim, tratamento cirúrgico, o que talvez não fosse necessário se eu tivesse procurado ajuda médica mais cedo e iniciado prontamente o tratamento medicamentoso adequado”, reconheceu. 


A doença


Com mais de três milhões de pacientes diagnosticados no país, o câncer na próstata é responsável pela morte de cerca de 42 homens por dia segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Somente em 2020, no Brasil, serão quase 66 mil novos casos, um número bastante alarmante e que demanda enorme atenção. Vale destacar que a doença é uma das que menos apresentam sintomas, podendo ser totalmente silenciosa.  Incômodo ao urinar e dificuldades de ereção, sinais comuns com o avanço da idade, podem passar despercebidos. 


Manter hábitos saudáveis, como boa alimentação, atividades físicas e controle de peso, auxiliam os homens na prevenção. Porém, esses cuidados devem ser associados a exames para diagnóstico precoce, especialmente após os 50 anos. Estes incluem dosagem do PSA - uma proteína produzida pela próstata – no sangue, toque retal, quando o médico avalia o tamanho forma e textura da próstata e biópsia da próstata.  Estes exames precisam de acompanhamento anual.


Dependendo do estágio da doença definido pelos exames, as principais opções de tratamento para homens com câncer de próstata estão intimamente ligadas à tecnologia e podem incluir conduta expectante, cirurgia (prostatectomia radical), radioterapia, criocirurgia, hormonioterapia, imunoterapia, quimioterapia e tratamento da disseminação da doença para os ossos. 


A cirurgia é recomendada para casos específicos de pacientes com câncer de próstata e o método consiste na retirada de toda a próstata e das vesículas seminais. Uma das técnicas que tem revolucionado o tratamento da cirurgia de próstata é a Robótica. Ela une tecnologia e conhecimento médico na busca de desfechos clínicos positivos aos pacientes que precisam de procedimentos mais delicados. 


Na maioria dos casos de cirurgia que utilizam a Robótica, o paciente volta a ter vida normal logo após o procedimento, com preservação da função urinária e erétil. Seus benefícios são o alto nível de segurança, maior precisão, incisões menores, menor sangramento, diminuição da dor, menor uso de medicações analgésicas, mínima chance de complicações pós-cirúrgicas e uma rápida  recuperação do paciente.


Com se vê, há diversas opções para a detecção precoce e tratamentos com tecnologia de ponta que podem recolocar o paciente em sua rotina normal e sem sequelas. Entretanto, a maior barreira acaba sendo cultural e o preconceito em relação aos exames masculinos, especialmente o toque retal. 



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