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Americano usa seguro e UnitedHealth ameaça deixar Obamacare

Publicado em 23/11/2015 • Notícias

A UnitedHealth, maior seguradora de saúde dos Estados Unidos [e dona da Amil, no Brasil], desferiu ontem um golpe contra o carro-chefe da política doméstica do presidente Barack Obama. Ameaçou sair do Obamacare, que vem contribuindo para reduzir drasticamente o número de americanos sem cobertura de planos de saúde.

A entrada em vigor, em 2010, da Affordable Care Act, apelidada de Obamacare, permitiu a americanos não segurados contratar planos de saúde individuais. Em consequência, o percentual de pessoas sem cobertura [de planos de saúde] caiu para um mínimo recorde de 9%, em relação a 16% cinco anos atrás, segundo dados dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças.

Mas a UnitedHealth declarou estar em dificuldades para tornar lucrativos os planos oferecidos por intermédio das bolsas, o que a levou a reduzir a comercialização dos produtos e começar a avaliar se deveria abandonar o esquema. A empresa disse que tomará uma decisão final a esse respeito no primeiro semestre do ano que vem.

Stephen Hemsley, CEO da UnitedHealth, sugeriu que o setor de seguro-saúde como um todo está em dificuldades para ganhar dinheiro com os planos negociados através das bolsas do Obamacare.

Os clientes que compram os planos – muitos dos quais sem cobertura há anos – estão se consultando com médicos e usando serviços médicos mais do que anteriormente previsto, dizem analistas.

Muitas das concorrentes da UnitedHealth embarcaram numa rodada de fusões e aquisições envolvendo grandes valores financeiros para melhor prepararem-se para um futuro sob a Lei de Saúde Acessível. A United ficou à margem da onda de consolidação no setor.

Embora a UnitedHealth seja a maior seguradora de saúde, ela oferece menos planos por meio de bolsas de planos de seguro-saúde do que concorrentes como a Anthem, que tem aproximadamente 550 mil inscritos.

Analistas disseram que uma saída da UnitedHealth do sistema poderá produzir um efeito dominó, porque as bolsas dependem da existência de uma massa crítica de seguradoras: se uma seguradora abandonar o sistema, ela faz subir os riscos para as demais, que poderiam reagir aumentando os preços cobrados dos consumidores. Isso poderia fazer com que as pessoas parassem de aderir ao esquema.

Obama saudou a Affordable Care Act como sendo um sucesso e anunciou neste mês que 17,6 milhões de americanos passaram a ficar cobertos por seguro-saúde desde que a lei entrou em vigor, embora a legislação tenha sido polêmica do ponto de vista político.

No início do segundo semestre, Obama foi vitorioso na Suprema Corte dos EUA, que manteve um elemento central de sua ainda controvertida reformulação do sistema de saúde do país e assegurou cobertura de saúde para mais de 6 milhões de americanos.

No entanto, vários casos judiciais relacionados com a lei ainda estão tramitando no sistema legal americano.

Fonte: Valor Econômico

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