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Bandeirantes e Leforte deixam filantropia

Publicado em 17/09/2015 • Notícias

Os hospitais Bandeirantes e Leforte, ambos em São Paulo, deixaram de ser filantrópicos e desde o começo deste mês são instituições com fins lucrativos.
A mudança na natureza jurídica abre espaço para que os dois hospitais, que pertencem ao mesmo grupo, recebam investimento estrangeiro. Trata­se do primeiro grupo hospitalar de grande porte a fazer esse tipo de alteração após a aprovação, em janeiro, da lei que permite a participação de capital estrangeiro em hospitais nacionais.
Segundo fontes do setor, o processo de transformação da natureza jurídica do Bandeirantes e Leforte ainda está em curso. Numa primeira etapa, foram criadas subsidiárias para os dois hospitais que atualmente estão sob a Sociedade Assistencial Bandeirantes. Em seguida, o controle do Bandeirantes e Leforte deve ser repassado à família Medeiros, que é a controladora da sociedade. Essa, por sua vez, permanece como uma entidade filantrópica para abrigar um terceiro hospital do grupo, o Lacan, cujo atendimento é totalmente feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, a família Medeiros aluga os imóveis que abrigam os hospitais Bandeirantes, no bairro da Liberdade, e Leforte, no Morumbi, e também faz parte da diretoria do grupo.
O Bandeirantes e o Leforte são uns dos poucos hospitais de caráter filantrópico do país com um único controlador. No mercado nacional, em especial em São Paulo, a maior parte dos hospitais considerados “”de primeira linha”” como Albert Einstein, Sírio­Libanês, Oswaldo Cruz e Samaritano é filantrópica e controlada por associações sem fins lucrativos, o que reduz significativamente a oferta de ativos no mercado e dificulta a entrada do investidor externo.
A Sociedade Assistencial Bandeirantes informou que a mudança na natureza jurídica dos hospitais não tem por objetivo o aporte de investidores estrangeiros e que “”a criação de subsidiárias para a operação do Bandeirantes e do Leforte visa assegurar a continuidade dos propósitos assistenciais da Sociedade Assistencial Bandeirantes, dentro de seu planejamento estratégico””.
Em 2014, a Sociedade Assistencial Bandeirantes registrou uma receita líquida de R$ 479,2 milhões, alta de 4,7% em relação a 2013. Já o superávit despencou de R$ 33,2 milhões para R$ 6,7 milhões no período devido a expressivo aumento nas despesas administrativas e contingências no valor de R$ 33 milhões em 2014. A maior parte dessas contingências refere­se à ações judiciais contra o hospital, cujos valores foram provisionados devido à forte possibilidade de causa perdida.
Fundado há 70 anos, o Bandeirantes tem 180 leitos. Já o Leforte foi construído em 2009 e conta com 84 leitos

Fonte: Valor Econômico

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