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BTG Pactual vende fatia na Rede D’Or a fundo de Cingapura por R$ 2,38 bi

Publicado em 04/12/2015 • Notícias

O banco BTG Pactual informou nesta quarta-feira (2) que vendeu ao fundo soberano de Cingapura GIC ações da Rede D’Or São Luiz, a maior rede de hospitais privados do país. O negócio totaliza aproximadamente R$ 2,38 bilhões.

Em maio, o GIC tinha comprado 16% da participação do BTG na empresa por R$ 3,2 bilhões.

Com a venda, o BTG busca fazer caixa após a prisão de André Esteves, sócio-controlador do banco investigado na Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobras.

Ele deixou a presidência da instituição no último domingo, após ter sido preso. Sócios do BTG anunciaram nesta quarta que ele também saiu da cúpula que comanda o banco.

A BM&FBovespa informou que suspendeu as negociações com as units (conjunto de ações) do banco BTG Pactual até 14h (de Brasília), enquanto aguarda esclarecimentos sobre a alteração.

A venda da participação do BTG na rede de hospitais era negociada desde agosto, mas a prisão de Esteves acelerou as conversas.

O banco busca reforçar suas reservas para mostrar aos clientes que está capitalizado e tem fôlego para enfrentar uma onda maior de saques de clientes.

Da prisão de Esteves até o dia 27 de novembro, os resgates já somaram pelo menos R$ 9,2 bilhões, descontados eventuais depósitos, segundo a consultoria ComDinheiro.

Segundo apuração da Folha, a rede de estacionamentos Estapar pode ser a próxima a ser vendida.

Há interessados, mas o banco ainda não abriu negociação. Hoje, a companhia vale cerca de R$ 1,3 bilhão e o BTG tem a maior parte das ações.Em esclarecimento à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o BTG classificou a afirmação publicada no jornal “Valor Econômico” de que “terá de vender ativos e encolher para sobreviver” é “nitidamente exagerada e sem qualquer fundamento em informações divulgadas pelo BTG Pactual, sendo que o BTG Pactual reitera que segue conduzindo normalmente suas operações e cumprindo com suas obrigações”.

A entrada dos fundos no capital da Rede D’Or, fundada em 1977, foi possível graças à decisão do governo de liberar a partir deste ano a participação de capital estrangeiro em hospitais e clínicas do país —até o ano passado, isso era permitido só no caso de planos de saúde.

NEGÓCIOS

Desde sua criação, o BTG investiu em muitas frentes de negócio, adquirindo empresas de diversos setores —como companhias do ramo imobiliário, de petróleo e energia, saúde (hospitais e farmácias), varejo e montadoras.

O foco sempre foi comprar empresas em dificuldade, recuperá-las, e vendê-las no ápice de sua valorização. Hoje, poucas estão nessa condição e os sócios ainda não decidiram quais terão prioridade de venda.

A Sete Brasil e a PetroÁfrica, por exemplo, são investigadas na Lava Jato. E a MMC Automotores é investigada na Operação Zelotes, que apura um esquema de sonegação e pagamento de propina para renovação de benefícios fiscais

Endividada, a operadora Oi enfrenta problemas de caixa e o BTG é o banco responsável por reestruturar a companhia. Sem acordo com a Petrobras, a Sete Brasil já estuda pedir recuperação judicial

E para vender o banco PanAmericano, o BTG precisaria de aval da Caixa, que não deseja um concorrente direto no negócio

O problema é que a maior parte desse investimento foi feita em empresas que hoje estão em apuros e das quais o banco não consegue se livrar.

TÍTULOS

Para gerar caixa, o BTG também estuda emitir até R$ 1 bilhão em papéis especiais conhecidos como DPGE. Caso a instituição quebre, o investidor que adquirir esse título terá a garantia de receber até R$ 20 milhões. O valor será pago pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Para fazer essa emissão, o banco terá de pagar custos superiores aos títulos que normalmente coloca no mercado, como CDB —mais um sinal de que o BTG está enfrentando dificuldades para levantar recursos.

Bradesco e Itaú estudam a compra de até R$ 4 bilhões em carteiras de empréstimos do BTG.

Fonte: Folha de S.Paulo / Site

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