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Desempenho da indústria fica abaixo das expectativas

Publicado em 06/11/2015 • Notícias

Depois de anos de faturamento crescente, com evolução na casa dos dois dígitos, a indústria de equipamentos médicos e odontológicos deverá experimentar este ano resultados menos animadores. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), a receita nominal deverá chegar a R$ 8,57 bilhões, 7,7% acima dos R$ 7,95 bilhões do ano passado. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real do setor é de 4,56%, inferior aos 7% alcançados em 2014. Este número considera a produção de todo o setor, como equipamentos médicos e odontológicos, implantes e materiais descartáveis. O nível de emprego deve permaner estagnado: apenas 600 novos postos até o fim do ano.

O corte no orçamento do Ministério da Saúde é o que mais afeta os resultados. Cerca de 60% das vendas são destinadas a hospitais públicos e Santas Casas informa o superintendente da Abimo, Paulo Henrique Fraccaro. “Mesmo com o resultado positivo, não podemos bater palmas”, diz Fraccaro. “Comparado aos anos anteriores, 2015 está sendo ruim.” Fraccaro explica que as empresas que têm se salvado de um baque maior são as que, além de equipamentos, produzem descartáveis como agulhas, luvas e suturas. Mesmo essas precisam conviver com os frequentes atrasos nos pagamentos.

Nem as gigantes escapam da crise. O braço HealthSystems da Philips, que produz equipamentos como máquinas de raio-X, de tomografia computadorizada e ressonância magnética, relata queda de até 50% nas vendas, diz Daniel Mazon, vice-presidente da Philips Healthcare para América Latina.

Mazon conta que as vendas da empresa são cotadas em dólar. Embora isso possa impactar no market share (divisão de mercado), preserva o faturamento em tempos difíceis, já que parte dos insumos é importada. “É um ano desafiador e deve continuar assim em 2016. Mas já vivenciamos períodos piores”, diz Mazon. Segundo informa, a Philips compensa a queda nas vendas no Brasil com as operações em outros mercados latinos que estão em alta, como Equador, Colômbia e Argentina.

Períodos de maré baixa são aqueles em que a indústria sente mais o peso da dependência de importações: o Brasil traz de fora seis vezes mais do que manda para o exterior. Segundo a Abimo, até setembro, as importações caíram 13% em relação a igual período do ano passado. O dólar na casa dos quatro reais, porém, não estimulou as exportações, que caíram 5% no período. “O real desvalorizado não estimula vendas ao exterior”, diz Fraccaro. Os processos de planejamento de exportações e registros dos produtos em outros países podem levar até um ano.

Quando se tratam de empresas dedicadas a produtos de alta tecnologia, essa questão é ainda mais sensível. “O Brasil deveria dar mais atenção à produção nacional”, diz Carlos Goulart, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed). Para ele, os avanços estão nos programas de processo produtivo do Ministério da Saúde e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Com eles, o governo se compromete a comprar equipamentos por um longo período, exigindo como contrapartidas das fábricas.

Para o ano que vem, os empresários têm outras preocupações além da macroeconomia. A partir de janeiro acaba a desoneração da folha de pagamento e a alíquota incidente sobre a receita bruta sobe de 1% para 2,5%. Além disso, haverá mudanças nas alíquotas de ICMS nos Estados de origem e destino, como determina a Emenda Constitucional 87, promulgada em abril. “Estudos mostram que as mudanças devem elevar em até 10% a carga tributária. É um aumento importante para um setor já trabalha com contingenciamento de verbas”, diz Franco Pallamolla, diretor da Lifemed, empresa de capital nacional com três fábricas no Rio Grande do Sul.

Para a fabricante paulista Baumer, que há 63 anos produz equipamentos para centros cirúrgicos e lavanderias hospitalares, entre outros, esse peso extra se somará a outros custos que já subiram bastante este ano, como o da conta de energia elétrica. “Nossos gastos de produção cresceram 16% este ano por causa de mão de obra e energia elétrica. Além disso, tivemos mais 12% de gastos com custo de materiais, afetados pelo dólar”, diz a diretora administrativa Mônica Baumer, que espera uma queda de 15% do faturamento neste ano.

Fonte: Valor Econômico

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