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Gestão pode ser a cura dos problemas

Publicado em 17/08/2015 • Notícias

A terceira edição do encontro “O Brasil que o Brasil Quer” (acesse www.oqueobrasilquer.com.br), realizada na Casa do Saber, em São Paulo, reuniu especialistas em torno da questão do acesso à saúde. Gestão, inclusão social e avanços tecnológicos foram o mote do debate entre Dr. Gonzalo Vecina Neto, médico superintendente do Hospital Sírio-Libanês, Armando Correa Lopes Junior, vice-presidente sênior da divisão Healthcare da Siemens, e Dr. Nacime Salomão Mansur, médico conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.
Olhar gerencial Uma pesquisa feita pela Vox Populi-Carta Capital em 2014 revelou que quatro entre dez brasileiros apontam a situação dos hospitais e postos de saúde como o maior problema do País. Para o Dr. Gonzalo Vecina Neto, isso não surpreende. “Há um problema de gestão tanto no setor público quanto no privado”, afirma –mas já apontando caminhos:“É uma alternativa criar modelos público-privados, como as PPPs.
Mas em primeiro lugar é fundamental que a gestão seja modernizada, utilizando-se dos diversos instrumentos que hoje estão à disposição das empresas.” Na opinião do Dr. Nacime Salomão Mansur, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, há muitos desafios. “Um deles é a escala: 80% dos hospitais no Brasil têm até 100 leitos, enquanto na Inglaterra 90% dos hospitais possuem acima de 200 leitos.
Precisamos de gestão eficiente para melhorar essa realidade e, sobretudo, incluir as pessoas.” TecnOlOgia cOmO aliada “Tecnologia não é custo, é investimento”, afirma o vice-presidente sênior da divisão Healthcare, da Siemens, Armando Correa Lopes Junior. Para ele, é essencial provar o quanto a tecnologia pode auxiliar na gestão do sistema de saúde em suas mais variadas escalas. “Por exemplo, ao usar imagem para guiar uma cirurgia de coluna vertebral, em que o tempo do procedimento é reduzido de oito para quatro horas, temos condições de dobrar a capacidade e ampliar o acesso, contribuindo com a gestão”, explica.
“Isto significa melhorar a qualidade de vida do paciente, dos profissionais e do sistema como um todo”.
Para o Dr. Nacime, “A tecnologia é um bem da humanidade.
Permite proximidade com a população, monitoramento à distância e melhor controle de doenças crônicas”. O médico cita como exemplo a transmissão de um eletrocardiograma a partir de uma ambulância: “A imagem vai para um centro, um laudo é feito e, em menos de dois minutos, o médico que está na ambulância saberá se o paciente teve infarto ou não”, ressalta. Já para Armando Correa Lopes Junior, “a tecnologia tem condições de dar subsídios para que essa gestão evolua, pois sua função primordial é dar acesso e melhorar a qualidade de vida das pessoas”.
desafiOs cOmplexOs Além de a ineficiência da gestão do setor atingir níveis alarmantes, outro desafio é o financiamento.
Para o Dr. Gonzalo Vecina Neto, não é possível aumentar os recursos de maneira descolada da economia. “Se a economia não cresce, não há de onde retirar dinheiro. Por exemplo, o Brasil hoje é o segundo maior transplantador líquido do mundo. Nós sabemos fazer, a questão é melhor regular e, ao fazê-lo, garantir a inclusão social”, pondera.
Outro problema que passa pela gestão de maneira ainda mais ampliada é lembrado pelo Dr. Nacime Salomão Mansur: a abertura indiscriminada de escolas médicas. “Há 293 escolas aprovadas e 247 já funcionando, formando indivíduos sem nenhuma qualificação técnica”. E complementa: “É isso o que nós estamos formando no País, uma tragédia que vai ser perpetuada por 40, 50 anos, que é o tempo de exercício profissional”.
Finalizando o debate, o vice-presidente sênior Armando Correa Lopes Junior lembrou da complexidade do desafio por conta do tamanho geográfico do país, das desigualdades sociais e da quantidade de pessoas.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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