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Inovação amplia oportunidades

Publicado em 30/08/2015 • Notícias

A inovação faz parte do DNA da Braile Biomédica. Nos idos de 1960, o cirurgião cardiovascular Domingos Braile dedicava as horas de folga para pesquisar e criar equipamentos que lhe permitissem realizar cirurgias cardíacas em São José do Rio Preto (SP). Montou uma bomba de circulação extra corpórea e começou a estudar o uso do pericárdio bovino para confeccionar válvulas cardíacas antes mesmo da fundação da Braile, em 1983.

Com um portfólio de cerca de 400 produtos para as áreas cardíaca e oncológica, a empresa conquistou vários prêmios nos últimos anos, incluindo o Finep de Inovação de 2013. O prêmio foi ganho graças à Inova-re, válvula cardíaca introduzida no coração por meio de um cateter. “”A colocação dispensa a abertura do peito do paciente. Ela é colocada por meio de um corte pequeno e reduz o tempo da cirurgia em pelo menos três horas. No Brasil, a válvula minimamente invasiva é produzida por apenas três fabricantes, dois deles multinacionais””, diz Patrícia Braile, presidente da Braile Biomédica.

A empresa tem cinco novos produtos em fase de certificação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nenhum é fabricado por empresas brasileiras. “”Investimos 10% do faturamento em inovação e mantemos laços estreitos com universidades e centros de pesquisa. O desenvolvimento da Inovare foi feito em parceria com a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)””, diz Patrícia.

O ano de 2014 foi bom para o segmento, como mostra a Associação Brasileira de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo). A produção cresceu 9,1%, quatro pontos percentuais a mais do que em 2013, e o faturamento bateu em R$ 7,73 bilhões, alta de 11% em relação ao período anterior.

A balança comercial melhorou em função do câmbio. As importações caíram 8%, enquanto as exportações aumentaram 5%. O déficit da balança passou de US$4,16 bilhões em 2013 para USS 3,73 bilhões em 2014. Com isso, a participação da indústria nacional no consumo aparente, estimado pelo Ministério da Saúde em RS 25 bilhões, foi para 36,2%. Era de 34,8% no ano anterior.

“”Em 2014, o governo fez uma reposição maior de equipamentos como raio X, ultrassons, tomógrafos, alavancando os negócios do setor””, afirma Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Abimo.

O governo é o principal comprador de equipamentos e materiais médicos. As aquisições do Sistema Único de Saúde (SUS) respondem por cerca de 60% da demanda desses produtos. Em 2014, foi destinado RS 1,8 bilhão na aquisição de equipamentos para as unidades de saúde do Programa de Atenção Básica e para a Atenção Especializada, 51% a mais do que em 2013. “”Com os recursos destinados às obras e a comprados materiais necessários, o investimento praticamente dobra””, afirma Eduardo Jorge Valadares, diretor do Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde.

Outra prioridade é a instalação de 80 aceleradores lineares, equipamentos usados no tratamento de câncer, em 23 Estados. O Plano de Expansão da Radioterapia, lançado em 2012, começa a sair do papel. A vencedora da licitação foi a americana Varian Medicai System. O valor da compra é de R$ 119,9 milhões, com uma economia de 60% para os cofres públicos. O investimento este ano é de R$ 500 milhões, incluindo a construção das instalações para os equipamentos. Até agora, foram feitas quatro licitações para a realização das obras e 17 processos estão em andamento. A expectativa do ministério é de que 40 projetos estejam prontos até o fim deste ano. A previsão é de que os 80 aceleradores estarão funcionando no primeiro semestre de 2018.

No início de julho, a Varian assinou documento se comprometendo a construir a primeira fábrica para soluções de radioterapia da América Latina. A indústria, a ser instalada em Jundiaí (SP), será a terceira unidade da empresa no mundo a produzir aceleradores lineares. O compromisso prevê a capacitação de fornecedores locais para que o equipamento tenha 40% dos componentes fabricados no país. O Ministério da Saúde quer usar a experiência para realizar outros pregões e conseguir preços melhores. Está em discussão a centralização das compras de artigos de maior valor agregado e/ou que precisam ser adquiridos em grandes volumes.

Já as Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) envolvem a compra pelo Ministério da Saúde de grandes quantidades de produtos estratégicos para o SUS, a preços decrescentes. Em contrapartida, as empresasse comprometem a transferir a tecnologia para laboratórios públicos durante o tempo de duração dos contratos, geralmente de cinco anos. A ideia é garantir a auto suficiência do mercado nacional e reduzir os custos do SUS.

No fim de 2014, o Ministério da Saúde anunciou mudanças na política de PDPs. O governo vai divulgar a lista dos produtos considerados estratégicos para o SUS, além de definir prazos para a transferência tecnológica e realizar monitoramentos a cada quatro meses. Estão em vigor 98 PDPs, das quais 27 estão vendendo produtos para o SUS. Só uma delas refere-se à área de equipamento, o dispositivo intrauterino (DIU), que resultou em uma economia de R$ 700 mil. Na lista de 2015 dos produtos estratégicos constam 11 medicamentos e dez equipamentos, como marca-passos, aparelhos auditivos, conjuntos para oltalmologia e máquinas de hemodiálise. Nesta nova fase, foram apresentados 39 projetos até 30 de abril, sendo 34 para medicamentos.

Mesmo com as PDPs caminhando devagar, o setor de equipamentos comemora que, depois de anos de luta, conseguiu que o Congresso Nacional aprovasse em 2014 a isenção do PIS e Cofins para os produtos nacionais. Até então, apenas os importados tinham esse privilégio nas compras feitas por hospitais públicos e filantrópicos. “”Foi uma vitória, mas continuamos na luta pela isonomia também para o Imposto sobre Produtos Industrializados (1PI) e para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)””, diz Fraccaro, da Abimo.

Enquanto a isenção total não vem, os fabricantes investem em estratégias para estimular as vendas. “”Uma das grandes tendências do setor é a customização para atender a necessidades específicas do mercado e do tipo de assistência oferecida””, diz Carlos Goulart, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed). “”Se a assistência é mais básica, os equipamentos podem ser mais simples e poderão receber novos módulos ou softwares quando o atendimento se sofisticar. Já existem ressonâncias magnéticas, tomógrafos e ultrassons comercializados com essa proposta.””

Desenvolver produtos customizados é o diferencial da Olsen, de equipamentos odontológicos e mobiliário médico. “”Vendemos para o dentista o que ele quer comprar. Ele escolhe da cor do estofamento da cadeira aos equipamentos que quer receber””, diz o presidente César Olsen. Há 37 anos no mercado, a empresa catarinense é a terceira maior fabricante de equipamentos odontológicos da América Latina. O carro-chefe é a linha composta por cadeira, unidade de sucção, refletor, plataforma e instrumentos, oferecida em quatro versões, da mais simples até a mais tecnológica.

Para garantir a rentabilidade, a Olsen não trabalha com estoque. Com desenvolvimento e fabricação própria, comercializa entre 300 e 350 equipamentos por mês – a capacidade instalada é de 500 unidades. Os produtos são finalizados mediante pedidos. “”Nosso objetivo não é vender em grandes volumes, mas oferecer artigos diferenciados para surpreender nossos clientes.””

A Duan Internacional, com apenas cinco funcionários, conseguiu a certificação da Food and Drug Administration (FDA), o órgão governamental dos Estados Unidos responsável pelo controle de alimentos, medicamentos e equipamentos médicos, para seu produto Venoscópio. O aparelho localiza veias periféricas por meio de luz produzida por LED, facilitando a coleta de sangue e a injeção cie remédios. Com o produto, oferecido em duas versões, a normal e a infantil, a Duan recebeu o prêmio de empresa inovadora do Sebrae São Paulo e foi uma das finalistas do Prêmio Inova, da Abimo,

Suas concorrentes diretas são duas multinacionais, que vendem material descartável e oferecem em comodato equipamentos com tecnologia diferente do Venoscópio. A dificuldade da Duan é divulgar o produto, oferecido em distribuidoras de São Paulo e Minas Gerais. “”Estou mostrando o Venoscópio em feiras, congressos e principalmente pela internet””, diz Humberto Moromizato, presidente da empresa, que vende cerca de cem aparelhos por mês.

Fonte: Valor Setorial – Saúde

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