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Quem vê crise não enxerga oportunidade

Publicado em 25/05/2016 • Notícias

Apesar de trazer dificuldades para as empresas em geral e para a área de saúde em particular, a crise econômica também abre oportunidade para correção de rumos e adoção de medidas que resultem em maior eficiência com menor custo. Otimista com o país e nem tanto com a situação da área de saúde, o oftalmologista Cláudio Luiz Lottenberg, que em dezembro completa 15 anos à frente do Hospital Israelita Albert Einstein, acredita que essa maneira de encarar a recessão, adotada na condução do hospital paulista,se aplica também ao modelo de atendimento médico brasileiro.

No Hospital Albert Einstein, com receita operacional líquida de R$ 2,2 bilhões em 2015, a estratégia garantiu a manutenção do plano de crescimento original, incluindo a abertura de novas unidades. “Vejo nas crises a oportunidade para mudar o que pode parecer imutável e ganhar sinergia, pois todos se convencem ao ver o quadro ficar mais claro”, afirma o executivo.

As medidas de ajuste incluíram revisões de práticas, consolidação de áreas e aproveitamento mais racional de pessoal. Com isso, a dispensa de funcionários em 2015 não foi significativa entre 7% e 8% do quadro total, hoje de 13.122 funcionários -, nível que, segundo o executivo, se enquadra no turnover normal de empresas de grande porte. A estratégia envolveu também valorizar a retenção de clientes e fortalecer o d iá logo com pia nos de saúde, para negociar casos que podem merecer algum tipo de cobertura.

Para o longo prazo, sua intenção é aprofundar a utilização da tecnologia, tanto a de suporte, para melhorar controles e processos, quanto a de atendimento assistencial, para rever práticas médicas por meio de métricas mais adequadas, com o objetivo de reduzi r desperdícios e melhorar o atendimento dos pacientes.

Este, segundo ele, seria o momento propício para se discutir como gastar melhor os recursos destinados à área da saúde no Brasil e questionar o modelo de remuneração pela prestação dos serviços médicos, que hoje é feita por ocorrência, e não por qualidade do atendimento ou por desempenho do agente de saúde.

Para Lottenberg, a economia brasileira é pujante e sobreviverá à crise, mas o atual momento é dei içado, agravado pela crise política. Defende a reforma fiscal, a revisão da Previdência e espera que a ordem política seja restabelecida o mais rápido possível. Para isso, afirma, a classe política precisa focar o país e não interesses próprios, ou de pequenos grupos.

Além do Einstein, Lottenberg preside também a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, mantenedora do hospital. Sua rotina começa por volta das 6h, com caminhada e exercícios, prossegue com o café da manhã em família, atendimento na clínica oftalmo-lógica Lotten Eyes, rede que fundou em 1989, e no Einstein, onde faz as cirurgias de seus pacientes. Parte do dia é dedicada à gestão do hospital.

Por mais atribulado que seja seu dia, não deixa de dedicar alguns momentos a seus dois filhos, de 8 e 9 anos, durante o café da manhã. “Quando não consigo, volto para casa mais cedo para ficar com eles”, diz Lottenberg, em uma das quatro pequenas salas de sua clínica, destinadas ao atendimento simultâneo dos pacientes, quatro a cada vez.

Fonte: Valor Setorial – Executivos

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