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Sala que une cirurgia e diagnóstico reduz riscos

Publicado em 02/09/2015 • Notícias

‘O uso do espaço não é simples ou barato, você não pode ter ele em todo hospital’, diz Paulo Niemeyer, do Instituto Estadual do Cérebro

Unir no mesmo espaço mesa de cirurgia e equipamento de diagnóstico –como ressonância magnética ou raio-X– diminui o risco de o paciente morrer e aumenta a chance de sucesso das operações.

No IEC (Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer), no Rio, a sala híbrida tem câmeras e telas de alta definição e um microscópio que permite ao cirurgião ver detalhes milimétricos dentro da cabeça do paciente. A estrela maior do espaço é uma ressonância magnética, que fica atrás de uma porta dupla de chumbo.

“”É a Disneylândia da neurocirurgia””, diz Paulo Niemeyer Filho, diretor do IEC. A sala, que como todo o hospital só atende pacientes do SUS, custou R$ 16,7 milhões.

O espaço é usado principalmente em retiradas de tumores. A Folha acompanhou, no local, a operação de um paciente com câncer no cérebro.

O cirurgião tirou a maior parte do tumor, que estava visível. Depois, o paciente foi levado para a ressonância ainda com a cabeça aberta.

Para isso, foi preciso guardar objetos metálicos, como bisturis e pinças, que podem ser atraídos pela máquina da ressonância, e transferir o paciente da mesa cirúrgica (que contém metais) para uma maca. O processo demorou cerca de 20 minutos e envolveu mais de dez profissionais.

O exame constatou que havia fragmentos de tumor, e o paciente voltou à mesa cirúrgica. “”Sem a sala híbrida, provavelmente esse paciente teria que ser operado novamente em breve””, diz Niemeyer.

“”Imagine que você anda de Fusca e agora tem uma Ferrari””. Assim o cirurgião vascular Nelson Wolosker compara a sala híbrida do Einstein com espaços tradicionais.

No hospital de São Paulo a sala é usada para procedimentos do coração. Em vez da ressonância magnética, há um equipamento robótico que faz raio-X em tempo real do paciente. O aparelho é controlado por uma engenheira, que fica na sala ao lado.

Por causa da radiação, médicos e enfermeiros vestem um colete especial durante a cirurgia –toda vez que a máquina é ligada, luzes vermelhas se acendem. As imagens aparecem nas telas de alta definição espalhadas pela sala.

Minutos antes de iniciar uma cirurgia para corrigir um aneurisma que rompeu no tórax de um paciente, Wolosker explicou como o aparelho diminui os riscos. “”Há dez anos, seria necessário abrir esse paciente da axila até a virilha, ele teria poucas chances””.

Com os equipamentos, foi possível fazer uma punção, com um cateter sendo guiado pelas imagens de raio-X.

“”Antigamente, pacientes com cardiopatia eram tratados com cirurgia de peito aberto””, diz Alexandre Abzaid, cardiologista do HCor (Hospital do Coração), em São Paulo. A instituição possui sala híbrida neurológica (com ressonância magnética) e cardiológica (com raio-X).

“”Uma operação que era de cinco horas agora dura apenas duas. E a pessoa pode sair do hospital em 48 horas””, resume Abzaid.

CUSTO ALTO

Wolosker afirma que o maior desafio dos espaços híbridos é o alto custo. Segundo o médico, o Einstein operou, via convênios, 120 pacientes do SUS desde a inauguração da sala, há dois anos. Mas ela fica ociosa por falta de demanda. “”Muita gente precisa da sala, mas é difícil conseguir bancar””, diz Wolosker.

O Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, também é uma das instituições que oferecem a sala híbrida para pacientes da rede pública.

“”O uso do espaço não é simples ou barato, você não poder ter ele em todo hospital. É para centros especializados e de excelência””, diz Niemeyer.

Segundo Álvaro Atallah, diretor no Brasil da Cochrane (rede de cientistas que avalia a efetividade de tratamentos), novidades como os espaços híbridos são implantadas antes mesmo de ter sua eficácia comprovada. “”São introduzidas novas tecnologias caras, aumentam-se os custos e depois espera-se que evidências caiam do céu.””

Fonte: Folha de S.Paulo

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