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SUS fará transplante de medula para curar doença falciforme

Publicado em 01/07/2015 • Notícias

O transplante de medula óssea para tratamento de doença falciforme está liberado no País. O Ministério da Saúde publicou ontem portaria que incorpora o uso da técnica no Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento, no entanto, só será indicado para pacientes que tenham doador compatível e atendam critérios definidos por uma equipe de especialistas.
“Embora traga a cura para a doença, a técnica envolve riscos, daí a restrição”, afirmou a pesquisadora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e integrante da Sociedade Brasileira de Transplantes de Medula Óssea, Belinda Simões.
O coordenador do Sistema Nacional de Transplante do Ministério da Saúde, Weber Borba, estima que serão feitos entre 40 a 50 transplantes para pacientes com doença falciforme por ano. Na primeira etapa, a técnica será feita no hospital da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e no Hospital Albert Einstein. A expectativa é a de que, com a formação de novas equipes especializadas na técnica, outros centros passem a ofertar o tratamento.
O Ministério da Saúde estima que existam cerca de 25 mil a 50 mil pacientes com doença falciforme no Brasil. De origem genética, ela faz com que glóbulos vermelhos de pacientes,em vez de serem flexíveis e circulares, sejam rígidos e em um formato de foice. “Essas hemácias rígidas entopem os vasos, causam inflamações e dores muito fortes”, conta a professora.
A doença se manifesta já nos primeiros meses de vida. Bebês com o problema são irritadiços e choram muito. Nas crises de dor, pacientes precisam ser internados.
Para evitar infecções, crianças são submetidas a um tratamento preventivo com antibióticos.
Em outras etapas, são indicadas transfusões de sangue e quimioterápico.
A técnica já é usada em outros países. Mas, de acordo com Belinda,em nenhum deles o transplante é indicado como a primeira alternativa para o tratamento da doença. A equipe dela já realizou 23 transplantes no País, todos dentro de procedimentos de pesquisa. Do total, houve uma morte. A Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea defende, desde 2009, a incorporação da terapia no SUS. Borba diz que a adoção ocorre com atraso.
Exemplo. Os problemas provocados pela doença falciforme começaram cedo na vida do aposentado Elvis Magalhães, de 48 anos. “Sentia dores horríveis desde pequeno”,conta.As internações eram frequentes e as limitações, progressivas. Magalhães começou a fazer pesquisas por conta própria e a questionar médicos até descobrir que, em outros países, já começava a ser feito o transplante para pacientes com problemas semelhantes aos seus.
Em 2005, depois de muita insistência, ele conseguiu ser o primeiro paciente brasileiro a ser submetido à técnica. O procedimento foi feito em Ribeirão Preto.Mas conta que, no início, médicos não queriam fazer o procedimento. “Falei que assinaria todos os termos.” Hoje, diz que sua vida mudou. “Nunca pensei que fosse passar um dia sem dor.”

Fonte: O Estado de S.Paulo

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