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Transplante de útero se torna realidade

Publicado em 19/11/2015 • Notícias

Pesquisadores da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, esperam realizar nos próximos meses o primeiro transplante de útero naquele país. A ideia é colocar o órgão em uma mulher sem útero, permitindo que ela engravide.

A ideia é que o transplante seja temporário. O útero seria removido após a mulher ter um ou dois bebês –isso porque, para que o útero não seja rejeitado, é preciso ficar tomando medicamentos.

A ideia é promissora, mas há riscos potenciais.

Em primeiro lugar, a gravidez em um caso assim seria de alto risco, especialmente em função de medicação contra a rejeição do útero –vale lembrar que o feto também estaria sujeito à substância. Os úteros seriam retirados de mulheres já mortas, o que significa que seria necessário tomar especial cuidado com a sua condição.

Oito mulheres americanas já estão em exames na clínica, esperando por uma possibilidade de realizar o transplante. Uma delas, uma jovem de 26 anos e duas crianças adotadas, diz que ainda quer ter a chance de experimentar a sensação de estar gravida e dar à luz.

“Eu quero o mal estar pela manhã, as dores, os pés inchados. Eu quero sentir o bebê se mexer. Eu quero isso há muito tempo, nem sei dizer desde quando”, afirma.

Ela tinha 16 anos quando descobriu que não tinha útero –estranhou o fato de ainda não ter começado a menstruar. A falta de útero afeta uma em cada 4.500 mulheres.

O médico Andreas Tzakis, que participa do projeto, afirma que as mulheres foram informadas sobre os riscos e benefícios. A ideia é fazer o transplante dez vezes e avaliar os resultados.

Até hoje, o único país a fazer um transplante de útero foi a Suécia. O primeiro foi feito na Universidade de Gotemburgo, em setembro do ano passado, a partir de um útero de uma doadora viva. Até hoje, nove mulheres já se submeteram ao procedimento. Os bebês nasceram saudáveis, ainda que prematuros, embora dois transplantes tenham falhado antes mesmo da tentativa de engravidar.

Outras duas tentativas, na Arábia Saudita e na Turquia, falharam.

Tzakis afirma que a medicação contra a rejeição é segura –milhares de mulheres já tomaram tais remédios durante a gravidez, porque tinham recebido rins ou fígados de doares, e os bebês nasceram saudáveis.

Os potenciais pacientes tem de estar em um relacionamento estável, para que tenham mais ajuda e apoio, e precisam ter ovários. É preciso também ter dinheiro suficiente para se mudar para Cleveland durante um período. A gravidez se dá por inseminação artificial, um ano após o transplante –o período serve para averiguar se não há risco de rejeição e ajustar a medicação.

Para o professor de ginecologia da Unifesp Rodrigo de Aquino Castro, a tecnologia ainda está um pouco distante de chegar ao Brasil.

A possibilidade de homens receberem um útero e poderem parir no futuro “ainda não está na pauta”, diz Castro.

“A pelve do homem não tem uma estrutura favorável para receber um útero”, explica o professor. Os hormônios femininos produzidos durante a gravidez também teriam de ser repostos. “Mas não a chegaria a ser impossível”, afirma ele.

Fonte: Folha de S.Paulo

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