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Setembro Vermelho – Pulsando pela Vida

Publicado em 30/09/2022 • Notícias

Grandes desafios e grandes oportunidades

Evento analisa o cenário das doenças e agravos cardiovasculares, gaps e perspectivas para 2030

 

Enfrentar o avanço das doenças cardiovasculares – principal causa de óbitos no Brasil e no mundo – traz grandes desafios mas também grandes oportunidades, à medida que todos os players envolvidos na saúde se unam para a busca de soluções. Esta foi a tônica dos palestrantes no painel “Cenários brasileiro e mundial das doenças e agravos cardiovasculares, gaps e perspectivas para 2030”, no evento “Pulsando pela vida”, realizado no dia 21 de setembro.  Promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Tecnologia para Saúde (ABIMED), a iniciativa objetivou destacar o Setembro Vermelho, que busca conscientizar a sociedade para a importância da prevenção e os cuidados das doenças cardiovasculares.

 

“Esses óbitos causam grande impacto no Brasil e no mundo. Sendo uma entidade que representa 65% do mercado de equipamentos e dispositivos médicos no país, temos amplo interesse nessa discussão”, destacou Fernando Silveira Filho, presidente da ABIMED, na abertura do evento.

 

Estavam presentes representantes das mais importantes entidades nacionais relacionadas à saúde, especialmente na área cardiovascular. Fátima Dumas Cintra, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), elogiou a pluralidade dos participantes, o que permite conhecer e alinhar as diferentes visões dos protagonistas do setor. “Mesmo com o aumento de mortes por doenças oncológicas, os óbitos por doenças vasculares continuarão sendo significativos pelos próximos 30 anos. Temos que focar na prevenção e na pesquisa clínica”, apontou a médica. Segundo Fátima, os “anos dourados” de declínio das mortes por essa causa duraram até 2010, mas de lá para cá, o que se percebe é um aumento significativo dos casos, impulsionado pelo envelhecimento da população e pela baixa no controle dos fatores de risco comportamentais e sociais, como sedentarismo, obesidade, distúrbios do sono, poluição e baixo nível educacional, entre outros.

 

Na prevenção primordial, Fátima destaca a importância de se iniciar na fase da infância, envolvendo, portanto, os profissionais da pediatria.  “Filhos de mães de diabetes gestacional serão diabéticos, então, a criança precisa ser foco de prevenção”, alerta. Na área da pesquisa, conforme a médica, é preciso estabelecer ferramentas que sejam efetivas e resultem em informações de qualidade. “Talvez o caminho seja integrar os diversos bancos de dados, inclusive da saúde suplementar, que tem uma base riquíssima, mas que não acessamos”.

 

“Gestores da saúde”

 

Ampliar as informações disponíveis e em tempo real para os médicos poderá viabilizar o surgimento de verdadeiros “gestores da saúde”, de acordo com João Fernando Monteiro Ferreira, Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). “Hoje, o médico espera o paciente doente vir ao consultório, mas talvez no futuro, com os dispositivos vestíveis e não vestíveis, ele poderá ser o gestor da saúde daquele indivíduo e de toda a coletividade”. Com a disponibilização dessas variáveis em prontuários eletrônicos, os profissionais teriam acesso a um universo infindável de informações. “Vemos a importância do conceito do Big Data, o uso da inteligência artificial e de outros avanços tecnológicos, transformando dados em informações valiosas que possam influenciar as políticas de saúde”, vislumbra João Fernando.

 

O cenário das doenças cardiovasculares é uma tragédia, nas palavras dele, o que define a urgência das ações. “Proponho trocar o Setembro Vermelho para o ano todo vermelho”, alertou, acrescentando que não se pode acreditar no mito de que essas enfermidades mais acometem pessoas idosas e do sexo masculino. “Entre as mulheres com mais de 40 anos, a doença cardiovascular já é a principal causa de morte, assumindo um protagonismo e competindo fortemente com as enfermidades oncológicas”, citou o médico. Hoje temos muitos doentes, pouca prevenção e muita intervenção, mas é necessário virar essa balança para muita saúde, muita prevenção e pouca intervenção, nas palavras do presidente da SBC. “Temos que lançar mão de tecnologia que não seja medicamento, por exemplo, a telemedicina. Nessa área, temos uma experiência muito rica por meio de um convênio que estabelecemos com o estado do Amazonas, que está alcançando as populações ribeirinhas”, destaca ele.

 

“A telemedicina pode diminuir a espera por uma simples consulta”, analisou o   vice-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), Armando de Carvalho Lobato, destacando que o Projeto de Lei 1998 / 20 a aprovou em caráter de emergência mas falta ainda sua aprovação final para se tornar lei. Ele também ressaltou a importância da prevenção e do tratamento precoce para baixar a curva dos óbitos no Brasil, em função das doenças cardiovasculares. “O que mais acomete o brasileiro é a falta de prevenção. Mas como podemos falar em prevenção se a fila de espera para uma cirurgia de varizes é de seis anos no Hospital das Clínicas e de cinco anos na Unicamp?” indaga o médico.

 

Importância do trabalho conjunto

 

Na visão do presidente da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), Ricardo Alves da Costa, cinco aspectos podem auxiliar na busca de soluções para mitigar os problemas relacionados ao setor. Um deles é o acesso de todos os pacientes aos serviços existentes, como a medicina de alta complexidade. “Menos de 10% dos pacientes infartados têm acesso a angioplastia primária, um procedimento que reduz a mortalidade para menos de 5%”, lamenta o médico.

 

A educação médica continuada e valorização dos profissionais da saúde é outra área que necessita atenção especial. “Temos que oferecer condições para o treinamento e valorizar aqueles que atuam na área, mesmo que sejam necessárias modificações no financiamento da saúde”, diz Ricardo. A integralidade dos diferentes setores é outro elo da corrente que precisa funcionar, afinal, segundo ele, “pouco adianta termos inovações que oferecem grandes benefícios para poucos”.

 

A definição de objetivos é o quarto aspecto imprescindível para superação dos desafios. “Precisamos atuar com base em metas específicas. Apenas mediante essa visão clara vamos saber como e para onde avançarmos”. Por fim, ele falou da importância da homogeneidade no atendimento em um país tão heterogêneo quanto o Brasil. “Dos 550 serviços de hemodinâmica disponíveis no País, cerca de 80% estão localizados no sul e sudeste: não podemos continuar assim”, enfatizou.

 

Diante do cenário tão desafiador, os palestrantes foram unânimes em afirmar a importância de discussões como a gerada pelo evento “Pulsando pela Vida”. Para Ricardo Costa, “a ABIMED vem desenvolvendo um trabalho fundamental para melhorar as condições de acesso e o tratamento; precisamos continuar trabalhando de forma conjunta”. Segundo João Fernando, da SBC, é preciso ter o foco no paciente e transformar o modelo assistencial “de forma que seja realmente integrado e todos os players se conversem”.

 

Ao destacar a relevância do evento reunindo gestores públicos e representantes da saúde suplementar e indústria, a presidente da SOBRAC disse que “ficou muito claro que temos objetivos comuns; os próximos anos podem ser promissores se mantivermos a iniciativa de diálogo e formação de propostas em conjunto”. O presidente da ABIMED reiterou o compromisso da entidade de seguir promovendo o acesso à tecnologia na área da saúde, um dos fatores tão destacados pelos participantes. “Sabemos que o Brasil tem um gap tecnológico de cerca de oito anos em relação a outros países. Queremos dar nossa parcela de contribuição diante desse desafio”, finalizou.

 

Serviços e tecnologias cardiovasculares no SUS

 

O terceiro painel do dia tratou do uso de tecnologias cardiovasculares no Sistema Único de Saúde (SUS) e do papel da cardiologia na atenção primária à saúde. Os especialistas convidados para conduzir o painel “Ampliação do acesso a serviços e tecnologias de saúde e qualificação da assistência cardiovascular no SUS” foram Alfredo José Mansur, diretor do corpo clínico do Instituto do Coração (InCor) e Geraldo Reple Sobrinho, secretário de saúde do município de São Bernardo do Campo (SP). A apresentação foi mediada por Fernando Silveira Filho.

 

Em sua exposição, Mansur dividiu com a plateia uma série de dados e informações sobre o uso de tecnologia no Instituto do Coração. “Temos um enorme empenho na inovação tecnológica, distribuída em todos os institutos do complexo”, afirmou. A principal delas é o Meu Prontuário InCor plataforma de prontuário eletrônico da instituição, que compõe o complexo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. As tecnologias perpassam setores administrativo e clínico. Outras tecnologias são o IConf,  plataforma de telemedicina; o InCor Digital, para consulta a exames e receitas, com 30 mil pacientes usuários, sendo 82% do SUS; e a ECG AI, que trabalha com inteligência artificial para classificação automática dos eletrocardiogramas realizados na emergência.

 

Ele também fez um balanço dos prós e contras do uso da tecnologia no atendimento cardiológico, incluindo a relação à distância entre paciente e médico. “O tempo de escuta do paciente na telemedicina é maior do que nos atendimentos presenciais. Por outro lado, questões diagnósticas são mais delicadas para serem tratadas nessa modalidade”, ponderou. No entanto, a experiência geral do InCor com as tecnologias digitais de atendimento tem sido positiva. O diretor apresentou o case RUTE Network, aplicado durante a pandemia. “Criamos no Incor uma equipe de consultoria em telemedicina, com médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, funcionando durante 24 horas por dia, ao longo de 90 dias”, contou. O serviço de Tele UTI foi estendido para 19 hospitais públicos do Estado de São Paulo, com diminuição do tempo de hospitalização e mortalidade. O InCor também ofereceu serviço de Tele UTI de Emergência em Cirurgia Torácica.

 

Já Geraldo Reple Sobrinho abordou a problemática da atenção básica em doenças cardiovasculares. Ele destacou alguns números das ações de atenção primária do SUS, incluindo visitas domiciliares e procedimentos ambulatoriais. “Foram 450 milhões de visitas domiciliares em 2021. Não existe no mundo sistema como esse”, observou. Em seguida, mostrou os dados de doenças cardiovasculares no Brasil, principal motivo de internações e mortes no País. A atenção primária é fundamental para melhorar esses indicadores, lembrou. Nesse quesito, o acesso rápido a especialistas em cardiologia é fundamental. Mas a base disso é o trabalho interdisciplinar. “O SUS começa na ponta. Se não trabalharmos com a enfermagem e agentes comunitários, não conseguiremos fazer uma boa prevenção de doenças cardiovasculares. Se não agirmos na ponta, vamos virar um País de doentes”, alertou.

 

Programas de capacitação e parcerias são ativos valiosos para a melhoria da atenção básica na cardiologia. Até mesmo os planos de saúde, lembrou o secretário, passaram a investir na saúde da família. “É um profissional que acompanha um grupo familiar e sua comunidade, e conhece suas condições de vida”, destacou, observando que, se tratando de doenças do coração, estilo de vida, alimentação e elementos afins devem ser de conhecimento do profissional. Essa visão holística sobre o paciente será melhor trabalha quando os sistemas público e privado forem integrados. “É preciso que exista interoperabilidade dos sistemas. Sem isso, ficaremos patinando”, destacou.

 

Perspectiva da indústria: tecnologia e melhoria de cuidados cardiovasculares

 

O quarto e último painel do Pulsando pela Vida, “Como a tecnologia é utilizada para os cuidados cardiovasculares”, trouxe representantes de quatro empresas associadas à ABIMED que apoiaram o evento, com mediação de Felipe Carvalho. Alexandre Ribeiro, gerente de produto da Meditronic, apresentou os pilares da empresa e sua relação com a inovação. “Todos os anos são lançados produtos, terapias e estudos clínicos. É através da tecnologia que conseguimos atender a missão da companhia: prolongar a vida, aliviar a dor e estabelecer a saúde. Ela é fundamental, e para fazer a diferença é preciso investir em inovação”, sintetizou.

 

Alex Montini, country manager da Biotronic, lembrou que a operação da saúde no Brasil é repleta de particularidades, como o acesso a tratamento especializado, cujas dificuldades impõem gargalos consideráveis no acesso à tecnologia. “A doença cardiovascular causa mortes silenciosas. Muitos pacientes morrem sem ter acesso. Ainda existe muita dificuldade para a entrada e aceitação de novos produtos”, afirmou. O executivo lembrou o olhar imediatista, que olha para o curto prazo, dificulta a penetração de inovação na saúde privada, e que, no sistema público, as verbas e repasses prejudicam o acesso de pacientes a novas tecnologias.

 

Já Danilo Urtado, head de marketing da Boston Medical Group, além dos desafios já citados pelos outros painelistas, a empresa encara hoje a tarefa de mudar o mindset, passando do tratamento para a prevenção. Para trazer essa nova visão ao mercado, diz ele, a empresa tem investido em novas parcerias, inclusive com hubs de startups. Além da tecnologia em si, a companha tem investido em educação e comunicação. “A qualidade da informação é um desafio, queremos chegar até o paciente para que ele saiba o que procurar e quando procurar como forma de prevenção”, contou.

 

O último a falar foi Marcelo Carvalho, diretor da Edwards Lifescience. “Nossa empresa trabalha focada na doença estrutural cardíaca e monitoramento avançados, e 18% do nosso faturamento vai para essa área, e por isso somos uma empresa de produtos nichados”, afirmou. Operando globalmente, e de forma incipiente no Brasil e América Latina, segundo o diretor a empresa tem o desafio de inserir novas tecnologias atendendo questões de preços. “Corremos o risco de sucatear o sistema se não formos receptivos a novas tecnologias, que têm um custo mais alto. Mas estamos tendo bons resultados no Brasil e região. E por isso é importante pensarmos juntos, pois assim encontramos soluções”, afirmou.

 

As considerações finais do evento ficaram por conta de Fernando Silveira Filho, que agradeceu a presença e apoio dos associados e fez um balanço positivo do encontro e das perspectivas para o setor. “As grandes oportunidades virão pela discussão do complexo econômico industrial da saúde, que estará na pauta de qualquer novo governo. Nossa indústria tem muito a trazer para o País e precisa estar conectada. Com a melhoria do cenário de negócios teremos oportunidade de ingressar nas cadeias globais de abastecimento”, disse.

 

PULSANDO PELA VIDA – PAINÉIS 3 E 4

 

Serviços e tecnologias cardiovasculares no SUS

 

O terceiro painel do dia tratou do uso de tecnologias cardiovasculares no Sistema Único de Saúde (SUS) e do papel da cardiologia na atenção primária à saúde. Os especialistas convidados para conduzir o painel “Ampliação do acesso a serviços e tecnologias de saúde e qualificação da assistência cardiovascular no SUS” foram Alfredo José Mansur, diretor do corpo clínico do Instituto do Coração (InCor) e Geraldo Reple Sobrinho, secretário de saúde do município de São Bernardo do Campo (SP). A apresentação foi mediada por Fernando Silveira Filho.

 

Em sua exposição, Mansur dividiu com a plateia uma série de dados e informações sobre o uso de tecnologia no Instituto do Coração. “Temos um enorme empenho na inovação tecnológica, distribuída em todos os institutos do complexo”, afirmou. A principal delas é o Meu Prontuário InCor plataforma de prontuário eletrônico da instituição, que compõe o complexo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. As tecnologias perpassam setores administrativo e clínico. Outras tecnologias são o IConf,  plataforma de telemedicina; o InCor Digital, para consulta a exames e receitas, com 30 mil pacientes usuários, sendo 82% do SUS; e a ECG AI, que trabalha com inteligência artificial para classificação automática dos eletrocardiogramas realizados na emergência.

 

Ele também fez um balanço dos prós e contras do uso da tecnologia no atendimento cardiológico, incluindo a relação à distância entre paciente e médico. “O tempo de escuta do paciente na telemedicina é maior do que nos atendimentos presenciais. Por outro lado, questões diagnósticas são mais delicadas para serem tratadas nessa modalidade”, ponderou. No entanto, a experiência geral do InCor com as tecnologias digitais de atendimento tem sido positiva. O diretor apresentou o case RUTE Network, aplicado durante a pandemia. “Criamos no Incor uma equipe de consultoria em telemedicina, com médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, funcionando durante 24 horas por dia, ao longo de 90 dias”, contou. O serviço de Tele UTI foi estendido para 19 hospitais públicos do Estado de São Paulo, com diminuição do tempo de hospitalização e mortalidade. O InCor também ofereceu serviço de Tele UTI de Emergência em Cirurgia Torácica.

 

Já Geraldo Reple Sobrinho abordou a problemática da atenção básica em doenças cardiovasculares. Ele destacou alguns números das ações de atenção primária do SUS, incluindo visitas domiciliares e procedimentos ambulatoriais. “Foram 450 milhões de visitas domiciliares em 2021. Não existe no mundo sistema como esse”, observou. Em seguida, mostrou os dados de doenças cardiovasculares no Brasil, principal motivo de internações e mortes no País. A atenção primária é fundamental para melhorar esses indicadores, lembrou. Nesse quesito, o acesso rápido a especialistas em cardiologia é fundamental. Mas a base disso é o trabalho interdisciplinar. “O SUS começa na ponta. Se não trabalharmos com a enfermagem e agentes comunitários, não conseguiremos fazer uma boa prevenção de doenças cardiovasculares. Se não agirmos na ponta, vamos virar um País de doentes”, alertou.

 

Programas de capacitação e parcerias são ativos valiosos para a melhoria da atenção básica na cardiologia. Até mesmo os planos de saúde, lembrou o secretário, passaram a investir na saúde da família. “É um profissional que acompanha um grupo familiar e sua comunidade, e conhece suas condições de vida”, destacou, observando que, se tratando de doenças do coração, estilo de vida, alimentação e elementos afins devem ser de conhecimento do profissional. Essa visão holística sobre o paciente será melhor trabalha quando os sistemas público e privado forem integrados. “É preciso que exista interoperabilidade dos sistemas. Sem isso, ficaremos patinando”, destacou.

 

Perspectiva da indústria: tecnologia e melhoria de cuidados cardiovasculares

 

O quarto e último painel do Pulsando pela Vida, “Como a tecnologia é utilizada para os cuidados cardiovasculares”, trouxe representantes de quatro empresas associadas à ABIMED que apoiaram o evento, com mediação de Felipe Carvalho. Alexandre Ribeiro, gerente de produto da Meditronic, apresentou os pilares da empresa e sua relação com a inovação. “Todos os anos são lançados produtos, terapias e estudos clínicos. É através da tecnologia que conseguimos atender a missão da companhia: prolongar a vida, aliviar a dor e estabelecer a saúde. Ela é fundamental, e para fazer a diferença é preciso investir em inovação”, sintetizou.

 

Alex Montini, country manager da Biotronic, lembrou que a operação da saúde no Brasil é repleta de particularidades, como o acesso a tratamento especializado, cujas dificuldades impõem gargalos consideráveis no acesso à tecnologia. “A doença cardiovascular causa mortes silenciosas. Muitos pacientes morrem sem ter acesso. Ainda existe muita dificuldade para a entrada e aceitação de novos produtos”, afirmou. O executivo lembrou o olhar imediatista, que olha para o curto prazo, dificulta a penetração de inovação na saúde privada, e que, no sistema público, as verbas e repasses prejudicam o acesso de pacientes a novas tecnologias.

 

Já Danilo Urtado, head de marketing da Boston Medical Group, além dos desafios já citados pelos outros painelistas, a empresa encara hoje a tarefa de mudar o mindset, passando do tratamento para a prevenção. Para trazer essa nova visão ao mercado, diz ele, a empresa tem investido em novas parcerias, inclusive com hubs de start ups. Além da tecnologia em si, a companha tem investido em educação e comunicação. “A qualidade da informação é um desafio, queremos chegar até o paciente para que ele saiba o que procurar e quando procurar como forma de prevenção”, contou.

 

O último a falar foi Marcelo Carvalho, diretor da Edwards Lifescience. “Nossa empresa trabalha focada na doença estrutural cardíaca e monitoramento avançados, e 18% do nosso faturamento vai para essa área, e por isso somos uma empresa de produtos nichados”, afirmou. Operando globalmente, e de forma incipiente no Brasil e América Latina, segundo o diretor a empresa tem o desafio de inserir novas tecnologias atendendo questões de preços. “Corremos o risco de sucatear o sistema se não formos receptivos a novas tecnologias, que têm um custo mais alto. Mas estamos tendo bons resultados no Brasil e região. E por isso é importante pensarmos juntos, pois assim encontramos soluções”, afirmou.

 

As considerações finais do evento ficaram por conta de Fernando Silveira Filho, que agradeceu a presença e apoio dos associados e fez um balanço positivo do encontro e das perspectivas para o setor. “As grandes oportunidades virão pela discussão do complexo econômico industrial da saúde, que estará na pauta de qualquer novo governo. Nossa indústria tem muito a trazer para o País e precisa estar conectada. Com a melhoria do cenário de negócios teremos oportunidade de ingressar nas cadeias globais de abastecimento”, disse.

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