Data Centers: o impacto da Inteligência Artificial no setor de saúde
Publicado em 18/12/2025 • Notícias • Português
A rápida expansão da inteligência artificial e das soluções digitais trouxe os data centers para o centro do debate econômico, regulatório e ambiental no Brasil em 2025. Essenciais para o processamento de dados, o funcionamento de plataformas digitais e o avanço da IA, essas infraestruturas passaram a ser analisadas não apenas sob a ótica da inovação e da competitividade, mas também de seus impactos ambientais e sociais, especialmente em um contexto de fortalecimento das agendas de ESG.
Estudos recentes indicam que o consumo de energia dos data centers no país deve mais que dobrar até o fim da década, passando de cerca de 1,7% para quase 4% da demanda nacional de eletricidade. Esse crescimento é impulsionado, sobretudo, pela adoção acelerada de aplicações baseadas em inteligência artificial, incluindo aquelas cada vez mais presentes no setor de saúde, como sistemas de apoio ao diagnóstico, interoperabilidade de dados clínicos, monitoramento remoto e soluções digitais associadas a dispositivos médicos.
O Brasil possui um diferencial relevante nesse cenário: uma matriz energética majoritariamente renovável, que o posiciona de forma competitiva na atração de investimentos em infraestrutura digital. Ao mesmo tempo, o avanço dos data centers impõe desafios concretos. Além da pressão sobre o sistema elétrico, há impactos associados ao uso de água para refrigeração e aos efeitos indiretos da geração de energia, o que exige planejamento, eficiência tecnológica e governança ambiental mais robusta.
Para o setor da saúde, o tema demanda uma abordagem equilibrada. A inteligência artificial representa um vetor importante de inovação, produtividade e ampliação do acesso, mas, como vimos acima, seu desenvolvimento está diretamente conectado a uma infraestrutura intensiva em recursos naturais. Esse contexto reforça a necessidade de integrar o debate tecnológico às dimensões ambiental e social, prevenindo soluções imediatistas que possam comprometer a sustentabilidade dos sistemas no futuro.
A discussão regulatória ganha relevância nesse ponto. Iniciativas como o Regime Especial de Tributação para Data Centers (ReData) e o debate em torno do marco legal da inteligência artificial (PL 2338) evidenciam a busca por segurança jurídica, previsibilidade e estímulo ao investimento. Ao mesmo tempo, especialistas e agentes públicos têm destacado a importância de alinhar esses instrumentos a critérios claros de eficiência energética, uso responsável de recursos hídricos e padrões ESG consistentes, de modo a evitar desequilíbrios regionais e impactos ambientais não planejados.
Relatórios recentes do mercado financeiro já colocam os data centers entre os temas centrais da agenda ESG para os próximos anos, ao lado de transparência, governança de dados e transição energética. Nesse contexto, a expansão da infraestrutura digital deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a integrar decisões estratégicas sobre desenvolvimento econômico, sustentabilidade e responsabilidade social.
A ABIMED acompanha esse debate com atenção, reconhecendo que a inteligência artificial e a saúde digital são fundamentais para o avanço do setor de dispositivos médicos, ao mesmo tempo em que reforça a importância de um crescimento alinhado às práticas ESG e aos princípios de sustentabilidade do ambiente de negócios e inovação, previsibilidade regulatória e uso responsável de recursos. A entidade segue comprometida em apoiar suas associadas por meio de diálogo técnico qualificado, contribuindo para um ambiente que concilie inovação, competitividade e responsabilidade socioambiental.