Simpósio Laboratório InovaSUS Digital reforça inovação, dados e novos rumos para o CEIS
Publicado em 12/12/2025 • Notícias • Português
O Ministério da Saúde apresentou, nesta terça-feira (9), o Projeto de Edital de Chamamento Público do Laboratório InovaSUS Digital, iniciativa que marca um novo ciclo de inovação para o Sistema Único de Saúde. O anúncio foi feito durante o Simpósio InovaSUS Digital, em Brasília, que reuniu representantes do governo federal, instituições públicas de ciência e tecnologia, organismos internacionais e organizações dedicadas à inovação em saúde digital, para discutir caminhos integrados na transformação digital do SUS.
Ana Estela Haddad, Secretária de Informação e Saúde Digital, destacou que a estratégia nacional de saúde digital avança com foco na equidade, no cuidado centrado no paciente e na interoperabilidade entre serviços. O laboratório nasce para articular parcerias, promover pesquisa aplicada, testar soluções emergentes e acelerar o desenvolvimento de tecnologias que respondam às necessidades reais das redes de atenção.
Lançamento do edital do Laboratório InovaSUS Digital
Apresentado também pela secretária de Informação e Saúde Digital, o edital do Laboratório InovaSUS Digital — criado pela Portaria GM/MS nº 3.564/2024 — é iniciativa que integra o Programa SUS Digital e inaugura um ambiente estruturado de inovação voltado à conexão entre governo, academia, sociedade civil e setor produtivo.
Segundo a secretária, o laboratório funcionará como um campo seguro de experimentação, orientado ao desenvolvimento de soluções incrementais e disruptivas para o SUS, incluindo parcerias público-privadas e mecanismos de compra pública de inovação. O modelo prevê um arranjo interinstitucional colaborativo, responsável por mapear práticas inovadoras, apoiar testes em ambiente real e estruturar um repositório de tecnologias digitais que possam qualificar o cuidado e melhorar a eficiência do sistema de saúde.
Com intuito de incorporar contribuições do debate, o lançamento do edital está previsto para os próximos dias. A proposta está organizada em seis eixos temáticos:
- Interoperabilidade e Padrões
- Atenção ao Paciente, Serviços Digitais e Telessaúde
- Dispositivos Médicos e Internet das Coisas
- Engajamento e Empoderamento do Paciente
- Medicina de Precisão e Análise de Dados
- Gestão em Saúde
Os eixos orientam tanto a submissão de projetos quanto a formação de redes colaborativas, reforçando o papel estratégico da transformação digital na melhoria do acesso, da qualidade assistencial e da governança do SUS.
Painel 1: Política Nacional de Informação e Saúde Digital e a Colaboração Multissetorial
Com a participação de Marília Marcato, assessora da presidência do BNDES (moderação); Bruno Portela, procurador federal e coordenador do Laboratório de Inovação da AGU; e Leonardo Shibata, especialista em saúde do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o primeiro painel tratou da Política Nacional de Informação e Saúde Digital e da colaboração multissetorial necessária para consolidar a transformação digital.
A mesa convergiu para a necessidade de fortalecer mecanismos que permitam inovação segura, interoperável e sustentável, ampliando a capacidade nacional de desenvolver e escalar tecnologias de saúde.
Painel 2: Inovação em Informação e Saúde Digital no Contexto do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS)
Contou com a participação de Nelson Simões, assessor de direção geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) (moderação); Fotini Toscas, coordenadora-geral de Dispositivos Médicos da SECTICS/MS; Luiz Ary Messina, coordenador nacional da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE/MCTI); Rubens Souza, coordenador-geral de Inovação Digital do MCTI; e Fábio Cavalcante, diretor da Embrapii. O segundo painel apresentou como a saúde digital se tornou um eixo transversal do CEIS, mobilizando desenvolvimento tecnológico, produção nacional e novas formas de prestação de serviços.
As discussões abordaram a necessidade de alinhar processos regulatórios, ampliar ambientes de teste (sandboxes), modernizar modelos de remuneração do SUS e fortalecer a pesquisa clínica nacional para garantir que tecnologias atendam às características epidemiológicas e genéticas da população brasileira.
No período da tarde, os participantes se dividiram em seis oficinas temáticas, dedicadas a aprofundar questões centrais para a próxima década da saúde digital:
- RNDS e Plataforma SUS Digital: interoperabilidade e padrões de informação entre sistemas de saúde;
- Modelo de ecossistema de Inovação em Saúde Digital;
- Inovação em Sistema de Informação;
- Inovação para Telessaúde: integração, segurança de dados e desfechos no SUS Digital;
- Regulação e Governança de Dados para Soberania Digital e Proteção de Dados do SUS; e
- IA em Saúde.
No encerramento do Simpósio, as oficinas consolidaram percepções técnicas e levaram a recomendações apresentadas ao final do evento, reforçando a importância de articulação entre governo, academia e setor produtivo.
O Simpósio InovaSUS Digital evidenciou que a transformação digital da saúde brasileira exige cooperação contínua, bases técnicas robustas, integração de dados e instrumentos modernos de fomento e avaliação. Para a ABIMED, o evento abre uma agenda estratégica para ampliar a adoção de soluções inovadoras e fortalecer o ecossistema de tecnologias para saúde, sempre com foco na qualidade de vida da população, sustentabilidade do sistema e acesso às melhores práticas assistenciais.
Você pode assistir o simpósio completo pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=0u7COzwZeCM