Comitês da ABIMED debatem orçamento público e incorporação de tecnologias
Publicado em 21/08/2026 • Notícias • Português
A ABIMED participou do 3º Fórum de Integridade da Saúde, no dia 20 de agosto, em São Paulo, durante a Expo Compliance 2026. A gerente de Assuntos Legais e Compliance da Associação, Carina Miyamoto, integrou o Painel 3, sobre prestação de serviços, e levou a perspectiva do setor de dispositivos médicos.
O fórum foi promovido pelo Instituto Ética Saúde e teve como tema os riscos na saúde e as propostas regulatórias para o setor. O evento partiu de uma pesquisa de riscos conduzida pela equipe do professor Giovani Saavedra, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com apoio do Instituto, que mapeou os principais riscos do setor. A programação reuniu três painéis: fontes pagadoras, indústrias e prestação de serviços.
O Painel 1, sobre fontes pagadoras, foi mediado por Giovani Saavedra e reuniu Cássio Ide Alves, da ABRAMGE; Dárcio Guedes, do Fundo Nacional de Saúde; Rodrigo Fontenelle, controlador-geral do Estado de São Paulo; e Sabrina Pezzi, da Unimed Porto Alegre.
Dárcio Guedes tratou do financiamento do SUS e da judicialização. Citou que a União destina cerca de R$ 270 bilhões à saúde e que o total com estados e municípios chega a R$ 560 bilhões, o equivalente a 4,47% do PIB. Apontou a rotatividade dos secretários municipais de saúde, com permanência média de onze meses. Cássio Ide Alves apresentou os pontos que geram risco no setor, da assimetria de informação ao uso de dados e inteligência artificial. Rodrigo Fontenelle tratou do custo social da corrupção na saúde e defendeu transparência e interoperabilidade de dados como formas de controle.
O Painel 2, sobre indústrias, teve mediação de Davi Uemoto, da ABRAIDI, com Bianca Bertolotto, do Grupo Medartis; Carlos Gouvêa, da CBDL; Felipe Alves, da Interfarma; e Karina Cattan, da Astellas Farma Brasil.
As falas trataram da autorregulação como complemento à legislação. Bianca Bertolotto destacou as instruções normativas do Instituto Ética Saúde como base dos programas de compliance das empresas. Carlos Gouvêa relatou o trabalho de harmonização dos códigos de ética com padrões internacionais, como os da AdvaMed e da MedTech Europe. Felipe Alves apresentou a experiência do código de conduta da Interfarma, em vigor há 18 anos.
No Painel 3, mediado por Vivian Sueiro, da ANAHP, Carina Miyamoto apresentou a nova edição do código de conduta da ABIMED, que incorpora o Sunshine Act, mecanismo de transparência na relação entre médicos e indústria. Segundo ela, o modelo já existe em Minas Gerais, em âmbito estadual, e a ABIMED trabalha com outras entidades para levá-lo ao plano federal.
A gerente apontou os distribuidores como principal ponto de risco do setor, dada a dimensão continental do país. Citou a nova Lei de Licitações, que exige compliance estruturado de quem contrata com o poder público, e defendeu o letramento das empresas como caminho para reduzir práticas irregulares.
Carina Miyamoto citou pesquisa do Instituto Ética Saúde na qual 92% dos entrevistados afirmam existir corrupção na saúde. Retomou o lema da ABIMED, “escolhas éticas salvam vidas”, ao defender que decisões individuais afetam toda a cadeia de atendimento. No encerramento, defendeu a antecipação de riscos no lugar da gestão de crises, além de transparência, uso responsável da tecnologia e colaboração entre os elos do setor