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Presidenciáveis concordam com o diagnóstico da saúde e divergem nos instrumentos

Publicado em 29/09/2026 • Notícias • Português

Segundo dados do Ministério da Saúde, a espera média por atendimento especializado no SUS chegou a 57 dias em 2024. Filas extensas, fragmentação das informações assistenciais e a necessidade de tornar o sistema mais eficiente ajudam a explicar por que os principais planos de governo convergem no diagnóstico dos desafios da saúde no país.

As diferenças aparecem quando o debate passa das causas para as soluções.

Ainda assim, há pontos de convergência relevantes. A substituição da ordem de chegada pela gestão baseada em risco clínico, sob conceitos como fila única digital, regulação inteligente ou estratificação de risco, ganhou espaço em diferentes propostas. O mesmo ocorre com a interoperabilidade do prontuário eletrônico e a expansão da telessaúde, temas presentes em campos políticos distintos.

A primeira divergência estrutural está em quem deve prestar os serviços. Algumas propostas defendem o fortalecimento do programa “Agora Tem Especialistas”, com o uso da infraestrutura hospitalar privada para ampliar o atendimento no SUS por meio de compensações financeiras ou abatimento de débitos. Outras sugerem a contratação de exames ociosos da rede privada e a ampliação de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). Há também correntes que mantêm a defesa de um sistema exclusivamente estatal.

A segunda divergência envolve a estratégia de implementação. De um lado, está a aposta na expansão gradual de programas já consolidados. De outro, a defesa de mudanças mais estruturais, como a reformulação dos sistemas de regulação, incentivos ao cumprimento de metas, revisão da tabela SUS e alterações na regulamentação da saúde suplementar.

Essas escolhas também definem diferentes papéis para a tecnologia médica. O aproveitamento de equipamentos privados ociosos depende de dinamismo contratual e segurança jurídica. Já a modernização da rede pública exige planejamento orçamentário e previsibilidade nas compras governamentais. Ao mesmo tempo, o estímulo à produção nacional e a aplicação de critérios de eficácia e custo-efetividade na incorporação de tecnologias colocam a indústria no centro do debate.

Para o setor de dispositivos médicos, o ponto central é a previsibilidade das regras que determinarão como as tecnologias serão incorporadas, adquiridas, remuneradas e mantidas no sistema.

Nenhum dos caminhos é neutro. A continuidade preserva capacidades já instaladas, mas também os seus limites. As mudanças de rota prometem corrigir distorções, porém exigem tempo para a construção de novas estruturas. Em qualquer cenário, a redução das filas e a melhoria da qualidade da assistência dependem, em grande medida, de previsibilidade e estabilidade regulatória.

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