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Crise deve fortalecer mercado de genéricos

Publicado em 23/08/2015 • Notícias

O desaquecimento econômico pelo qual passa o País não impedirá o mercado de medicamentos de crescer 5,6% em 2015, mas deve contribuir para a elevação da participação dos genéricos. Mais baratos do que os remédios inovadores, ou “”de marca””, o segmento tende a ser o que mais terá alta no ano devido à crise e ao aumento do número de lançamentos. A movimentação financeira total do setor deve subir dos R$ 125,070 bilhões do ano passado para R$ 132,150 bilhões em 2015, conforme expectativa de estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). 

A fatia de mercado dos genéricos pulou de 17% para 25% nos últimos quatro anos, tanto pelo preço mais em conta quanto pela redução do preconceito por parte do consumidor. Liberado em 1999 no Brasil, o comércio do produto ainda engatinha no País, principalmente se comparado ao dos Estados Unidos (80% do total de unidades), Alemanha (66%) e Reino Unido (60%), conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Progenéricos). 

Para o presidente do Conselho Superior e coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, a tendência é que os genéricos continuem a ganhar espaço. “”Ocorre anualmente a expiração das patentes de medicamentos inovadores, o que faz com que outros laboratórios possam lançar genéricos””, explica. “”Com a queda da atividade econômica e da renda, o mercado também fica mais atrativo””, completa. 

Aliado ao maior acesso da população à saúde, com a expansão de usuários de planos e de seguros privados e com aumento do uso da rede pública, o setor farmacêutico se mantém em alta. Tanto que gerou 560 mil postos de trabalho no ano passado, dos quais 87 mil na indústria. “”Os medicamentos terão melhor performance neste ano do que outros segmentos, mas esse ritmo de crescimento não será o mesmo em termos de empregabilidade. Ao menos, não teremos queda””, avalia Amaral. 

Os laboratórios farmacêuticos faturaram R$ 47,650 bilhões em 2014 e devem lucrar R$ 50,180 bilhões neste ano, diferença de 5,3%. No mesmo comparativo, o varejo deve passar de R$ 50,830 bilhões para R$ 54,180 bilhões (6,5%) e os distribuidores e outros, de R$ 26,590 bilhões para R$ 27,790 bilhões (4,5%). O coordenador de estudos do IBPT destaca, porém, que o aumento será nominal, mas com queda real de 3% devido à alta inflação. 

Distribuição regional
Outro mercado que deve ter melhor desempenho durante a crise é o de distribuição regional de medicamentos. Somente em maio, os associados da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan) tiveram faturamento de R$ 12,8 bilhões e movimentaram 802 milhões de unidades. Também forte no mercado de genéricos, o segmento teve alta de 17,1% no faturamento no semestre sobre o mesmo período do ano anterior e de 11,7% em itens. 

Tributação
O diretor de negócios do IBPT, Cristiano Lisboa Yazbek, afirma que uma redução de impostos seria ainda mais benéfica ao setor e à população, principalmente pelo fato de os produtos farmacêuticos serem considerados de primeira necessidade. “”A alta carga tributária incidente na produção de medicamentos, também retratada no estudo, resulta em mais de 30% sobre o preço pago no produto pelo consumidor final, sendo um dos principais obstáculos ao crescimento deste mercado e ao acesso da população à saúde. A redução da carga tributária nos remédios poderia ampliar o consumo, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos””, observa Yazbek, em nota.

Fonte: Folha Web

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