Nosso site usa cookies para melhorar sua experiência. Ao prosseguir você concorda com nossa política de privacidade.

Dispositivos móveis enfrentam barreira de custos na área da saúde

Publicado em 10/08/2015 • Notícias

O potencial tecnológico do uso de dispositivos móveis na área da saúde no país é hoje maior do que sua aplicação efetiva, principalmente em home care. Além de questões regulatórias, como a proibição do atendimento médico a distância, o modelo de negócios baseado em acompanhamento de casos crônicos — um dos espaços em que o emprego de monitoramento remoto é eficaz para a redução dos índices de visitas a hospitais — ainda não convenceu operadoras de saúde e o setor público.

Segundo Luiz Tizatto, CEO da UnitCare, um dos responsáveis pela letargia no avanço do monitoramento de crônicos por equipamentos móveis pagos por operadoras é o pouco tempo de vida da carteira. A média de permanência é de 28 meses, dificultando o retorno das iniciativas voltadas à prevenção, enquanto o paciente também não vê estímulo em pagar soluções extras.

O grupo oferece serviços móveis para diversas complexidades clínicas do paciente. A teleorientação em saúde oferece tira-dúvidas e orientação por call center operado por enfermeiras e supervisionado por médicos, evitando que casos de baixa complexidade sejam encaminhados para emergências hospitalares.

O eletrocardiograma nas nuvens permite que exames realizados em qualquer lugar do país sejam laudados em tempo real por equipes especializadas. O aplicativo Compara Remédios usa geolocalização para comparar preços de medicamentos entre farmácias mais próximas.

O telemonitoramento remoto usa equipamentos como monitores de pressão arterial, glicemia, balanças, termômetros e monitores de oxigenação para aferir sinais vitais dos pacientes, criptografá-los e enviá-los via internet a uma central, onde são analisados e, caso necessário, tomadas as devidas providências. Estudo feito com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apontou que a solução Mobile Care, voltada a monitoramento de crônicos, reduziu em 50% a ida a hospitais.

Para romper a barreira dos custos e substituir os equipamentos importados capazes de transmitir dados a distância por Bluetooth, a UnitCare lançou funcionalidades como o módulo de comunicação em vídeo ou audioconferência de qualidade, mesmo em banda estreita (3G), que reduz custos com telefonia para o acompanhamento dos pacientes e permite criptografia e gravação. Outra é a captura de imagem dos aparelhos medidores pela câmera do celular. “O custo do monitoramento remoto cai até dez vezes”, diz Tizzatto.

A novidade permitirá lançamento de aplicativo para consumidores com versão grátis simplificada e versão completa paga, até o fim do ano, em um primeiro momento voltado à avaliação de risco em usuários com sobrepeso, obesos leves e diabéticos.

Além de medir sinais vitais, terá capacidade de analisar as medidas em conjunto com alimentos e medicamentos consumidos pelo usuário, traçar metas e sugerir correções, incluindo programa de atividades físicas. “O mercado de bem estar é o que tem passado por maior revolução, inclusive com os dispositivos vestíveis, como as pulseiras”, destaca Tizzatto.

Outra que enfrenta o desafio da expansão em função de falta de escala e custo no mercado brasileiro é a AxisMed, especializada em gestão integrada de saúde do Grupo Telefônica, que disponibiliza equipamentos para monitoramento remoto em solução desenvolvida em parceria com a própria Telefônica e até o fim do ano deve incluir componentes de mHealth em todos seus serviços. O presidente Fábio Abreu lembra que à medida que a tecnologia se torna de domínio maior das empresas, as soluções tendem a ser mais simples. “Nesse momento, estamos focados em soluções que utilizem tecnologias ubíquas para o consumidor, independentemente do perfil demográfico do consumidor, o que não é ainda a realidade dos apps.”

Além do e-health em nível global, a Telefônica, por meio da Vivo, criou no Brasil os primeiros produtos do grupo voltados a pessoas físicas e hoje dispõe de 15 serviços de valor agregado voltados à prevenção em saúde e bem-estar. O pioneiro foi o Ligue Saúde. Custa R$ 1,99 por semana para dar acesso a call center de enfermeiras, tem 400 mil assinantes e gerou filhote direcionado a mães. Depois vieram produtos voltados a portadores de diabetes, fumantes, nutrição, dieta, movimento e sexualidade, com dicas e orientações. A assinatura dá direito a um SMS diário e acesso a portal de voz com informações complementares, com especialistas como Dráuzio Varella e Marcio Atalla. O conceito é amarrado no portal Vivo Mais Saudável, com mais de 300 artigos ao mês, conteúdo gratuito e cerca de 500 mil usuários únicos, diz o diretor de serviços digitais Mauricio Romão.

Fonte: Valor Econômico

Mais notícias e eventos