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Em evento, Kassab é cobrado por cientistas e defende fusão de pastas

Publicado em 08/06/2016 • Notícias

Em seu primeiro evento oficial como ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab ouviu cobranças e preocupações por parte de cientistas reunidos na USP, especialmente em relação aos recursos minguantes do setor,e defendeu o ministério recém-criado como forma de “fortalecer” a pasta.
Órgãos que representam a comunidade científica do país têm se articulado para exigir que a fusão do antigo MCTI com o Ministério das Comunicações seja revertida.
“Existiu num primeiro momento a preocupação de que a fusão poderia enfraquecer o campo da ciência e da pesquisa, mas tenho uma visão diferente. Com menos ministérios, fica mais fácil despachar com o presidente”, disse Kassab a uma plateia em que estavam reunidos nomes importantes da área como José Goldemberg, presidente da Fapesp (órgão paulista de fomento à pesquisa), e a geneticista Mayana Zatz.
“Só o tempo vai mostrar que o tema ciências vai ser valorizado com um ministério fortalecido”, afirmou depois a jornalistas.
Kassab disse também que não vê possibilidade de mudança à frente, como houve no caso do Ministério da Cultura.
“Pelo contrário, vejo demanda da sociedade para cortar mais ministérios.” A fusão, afirmou, traz eficiência ao governo e economia na administração. “Agora só tem um chefe de gabinete, um só coordenador de imprensa. Eram sete secretarias e agora são cinco. Em todas as áreas que houver oportunidade de enxugar vai haver redução sensível”, disse.
O ministério afirma que ainda está concluindo o processo de fusão e não sabe afirmar o tamanho da economia.
Elogiado por sua gestão à frente do ministério de 2005 a 2010, o físico Sérgio Machado Rezende, da Universidade Federal de Pernambuco, disse à Folha que a suposta economia de recursos públicos oriunda da fusão é pequena.
Para ele, não faz sentido falar em cortes porque o orçamento do MCTIC já é praticamente irrelevante diante da dívida pública brasileira.
Ele também não vê com bons olhos o desempenho do ministério nos dois mandatos de Dilma, em especial pela troca constante de ministros —foram seis em cinco anos— e pela falta de continuidade em projetos. “O ministério perder seu status independente pode parecer algo simbólico, mas na verdade é importante justamente por nós não termos uma cultura consolidada de ciência, tecnologia e inovação”, diz.
“Fomos os que mais sofreram cortes,oque mostra que a importância da pesquisa científica para a economia do país não está sendo reconhecida”, afirma Helena Nader, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).
A mobilização contra anova configuração do ministério ganhou corpo na UFRJ, mais importante universidade federal do país, na qual foi criada a Frente Contra a Extinção do MCTI.
“Dois pontos importantes para nós são a falta de compatibilidade entre os dois ministérios, que nunca conversaram muito, e a possibilidade de uma redução ainda maior de recursos”, explica uma das integrantes da frente,Jussara Miranda, do Instituto de Química.
Segundo ela,representantes de outras instituições, como a UFMG e a USP, estão se aproximando da frente.
Kassab, por sua vez, disse que não há incompatibilidade em termos de agenda e recursos.
“Há afinidade temática. Comunicações dependem de muita tecnologia e essa convivência vai ser muito saudável pra todos”, disse.
plateia No evento na USP, pedidos e cobranças por mais recursos foram comuns.
A reitora da Unifesp, Soraya Smaili, reclamou que Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e CNPq (principal órgão federal de apoio à pesquisa) estão com repasses atrasados.
O ex-presidente do CNPq Glaucius Oliva disse ainda que vê com preocupação a situação do órgão. “Perdeu a capacidade de expandir bolsas e assim compromete o futuro de jovens cientistas.” “A política científica não pode ser inventada em Brasília e comunicada aos cientistas.
Não queremos receber um ‘prato feito’”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, pedindo mais participação.
Kassab respondeu às falas dizendo que não há demanda mais significativa do que a de recursos e que se empenhará em aumentá-los.
“Eles virão primeiro da recuperação da economia. Havendo essa aceleração,o peso político do ministério será outro fator.” No evento, o ministro também defendeu mais parcerias internacionais. Questionado depois pela Folha sobre a continuidade do programa Ciência sem Fronteiras, de internacionalização de alunos,disseque“como todos os programas, tem que ser aperfeiçoado”.
“Não conheço com profundidade ainda. Acho um programa louvável que tem muitos acertos e seus problemas vão ser enfrentados para que seja aperfeiçoado.”

Fonte: Folha de São Paulo

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