Nosso site usa cookies para melhorar sua experiência. Ao prosseguir você concorda com nossa política de privacidade.

Investimento em capacitação mira os diferentes níveis hierárquicos

Publicado em 06/11/2015 • Notícias

O Hospital Sírio-Libanês capacita uma média de 2.600 profissionais da área de saúde por ano. São oficinas com duração de 15 minutos em que as situações diárias são invertidas. Isto é, àquelas em que o erro ainda não aconteceu. Mas tinha boas chances de acontecer. “Treinamos a sensibilização. Nossos profissionais precisam saber o motivo pelo qual realizam um determinado procedimento. A prática não pode ser automática”, explica o superintendente de gestão de pessoas e qualidade do Sírio-Libanês, Fábio Patrus. Impedir erros em ambientes hospitalares é praticamente impossível. O desafio, por isso, é trabalhar a educação permanente, tentando evitar os riscos ou fazendo com que eles sejam menos críticos.

Na governança clínica, a segurança é um dos pilares da qualidade assistencial. Embora todos os gestores saibam que não há fórmulas mágicas capazes de impedir os equívocos, o trabalho consiste em conhecer as situações de tal maneira com que as chances de equívoco possam ser reduzidas. E isso vale tanto para a identificação de um paciente – a pulseira com os dados – até para cirurgias complexas.

“Todas as situações são treinadas e repetidas. Temos um centro que permite simular inúmeros procedimentos. Nele, os profissionais aprendem e ensinam”, afirma Patrus.

No ambiente hospitalar não há erros menores. Identificar corretamente o paciente que receberá uma determinada medicação ou alimento é tão decisivo quanto marcar a perna correta que será submetida a uma cirurgia. “Esse é um evento crítico. É raro, mas é muito grave e não é incomum”, admite Patrus.

Embora os erros graves aconteçam, são as práticas menos complexas que envolvem os maiores problemas de segurança para os pacientes. Lavar as mãos e usar o álcool gel, por exemplo, deveriam ser rotina para os profissionais de saúde em todos os hospitais e situações.

Muitas vezes, na correria, o procedimento acaba sendo deixado de lado. Um líquido derramado num piso pode não ser nada à primeira vista. Mas, no mínimo, pode causar uma queda. “Já nos deparamos com situações em que o profissional está sem um equipamento de segurança. Parece que isso não acontece. Mas ocorre. Por isso, vemos tanta importância no treinamento e na educação”, afirma o vice-presidente do Hospital Sírio-Libanês, Sidney Klajner.

O obstáculo maior para os gestores dos estabelecimentos de saúde é mostrar aos profissionais que detectar erros não significa buscar culpados para serem punidos – o que até pode acontecer, também. Mas, principalmente, enfatizar que o erro, nesses casos, é objeto de estudo para evitar a repetição. “Existe esse tabu em relação a errar. Aqui, nós precisamos saber que, no extremo, nosso erro pode significar a vida ou a morte do paciente”, afirma.

“Falar de erros com um profissional é muito difícil”, reconhece Klajner. Ele observa que o medo, a insegurança e até o risco para a carreira impedem os profissionais, especialmente os médicos, de admitirem equívocos. Mesmo quando eles “quase acontecem”, mas não ocorreram. “Isso é muito aquela ideia do exercer solo da medicina”, explica o vice-presidente do Sírio-Libanês. “A omissão, a não comunicação de um evento adverso prejudicam o paciente”, acrescenta a enfermeira Vânia Rohsig, do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre.

Para evitar o exercício solo, os hospitais investem na capacitação e qualificação de todos por igual. Buscam empoderar seus profissionais de maneira a que, seja qual for o nível hierárquico dos seus cargos, eles se sintam seguros para opinar e até impedir equívocos, se for o caso.

Outra prática comum é a simulação de eventos. Nela, os profissionais reforçam as teorias e observam na prática o que pode acontecer por causa de um equívoco. E a técnica que permite o envolvimento e a participação de cada um serve para aumentar o interesse. “Muitos protocolos são alterados em função das recomendações feitas pelos profissionais. É um equívoco acreditar que esse é um trabalho feito apenas por quem ensina. O envolvimento é a palavra chave”, explica o superintendente do Sírio.

Fonte: Valor Econômico

Mais notícias e eventos