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Planos de saúde passam a cobrir testes para detectar zika a partir desta quarta

Publicado em 06/07/2016 • Notícias

Os planos de saúde deverão cobrir obrigatoriamente três exames para a detecção de anticorpos do vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, a gestantes, bebês filhos de mães com diagnóstico de infecção pelo vírus, bem como os recém-nascidos com malformação congênita sugestivas de infecção.

Esses são os grupos considerados prioritário para detecção da zika devido à sua associação com o risco de microcefalia nas crianças, quando o cérebro delas não se desenvolve de maneira adequada.

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) determinou que os planos devem oferecer cobertura dos testes de PCR (Polymerase Chain Reaction), IgM (imunoglobina M) e IgG (imunoglobina G) a partir desta quarta-feira (6). A medida foi publicada no “Diário Oficial” da União no dia 6 de junho e as operadores de saúde tiveram 30 dias para se adequarem às novas regras.

“A incorporação de exames diagnósticos para zika foi amplamente discutida por técnicos e especialistas visando a melhoria do atendimento a gestantes e recém-nascidos no Brasil”, afirma a diretora de Normas e Habilitação de Produtos, Karla Santa Cruz Coelho.

“Mas é importante ressaltar que diversos procedimentos destinados ao acompanhamento de gestantes e bebês já têm cobertura assegurada nos planos de saúde. Portanto, essa medida assegura o diagnóstico mais preciso, melhorando a qualidade na atenção às mães e seus bebês”, diz.

A doença, causada pelo vírus da zika, tem como característica a presença de manchas avermelhadas na pele e está associada a casos de microcefalia em bebês e da síndrome Guillain-Barré, transtorno que pode causar paralisia dos membros.

A diretora também destaca que a incorporação dos testes laboratoriais ocorreu de forma extraordinária por se tratar de uma emergência em saúde pública decretada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

“Portanto, essa é mais uma das ações da agência [ANS] no enfrentamento da atual situação, além do acompanhando atento das diretrizes do Ministério da Saúde para prevenção e o combate ao vírus da zika e as demais doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti”, concluiu a diretora.

TESTES

O método conhecido como PCR (Polymerase Chain Reaction), que verifica o genoma do vírus, só é eficaz durante o quadro agudo da infecção –ou seja, quando a pessoa apresenta sintomas da doença. Esse exame é recomendado para gestantes sintomáticas (somente até cinco dias após o surgimento dos primeiros sinais da doença).

Os outros dois testes, que foram aprovados pela agência em fevereiro deste ano, conseguem detectar a presença, por meio de métodos de imunoflorescência, de dois tipos de anticorpos, o IgG (imunoglobina G) e IgM (imunoglobina M), para três doenças: dengue, chikungunya e zika.

O IgM é produzido na fase aguda da doença –com até duas semanas. Ele é recomendado para gestantes com ou sem sintomas da doença nas primeiras semanas de gestação (pré-natal) com repetição desse procedimento ao final do segundo trimestre da gravidez, e para bebês filhos de mães com diagnóstico de infecção pelo vírus da zika, bem como aos recém-nascidos com malformação congênita sugestivas de infecção pelo vírus.

Já o IgG indica se houve uma infecção mais antiga pelo vírus. É recomendado somente para infeção pelo vírus da zika para gestantes ou recém-nascidos que realizaram pesquisa de anticorpos IgM cujo resultado foi positivo.

MICROCEFALIA

O Ministério da Saúde avalia novas mudanças nos critérios utilizados para identificar os casos de microcefalia e outros efeitos do vírus da zika em bebês recém-nascidos.

A ideia, segundo o órgão, é que sinais e sintomas de possíveis danos neurológicos sejam também incluídos como critérios de triagem de bebês, mesmo que não haja suspeita de microcefalia.

A alteração ocorre após um estudo publicado na revista “Lancet” mostrar que um em cada cinco bebês com infecção “provável” ou confirmada pelo vírus da zika e com danos neurológicos não tinham microcefalia -quadro definido pelo perímetro menor da cabeça do que o esperado ao nascer.

Desde o início das investigações, em outubro de 2015, até o dia 25 de junho, já foram notificados 8.165 casos de suspeita de microcefalia no país. Destes, 1.638 já foram confirmados para microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central, segundo balanço divulgado pelo ministério no dia 30 de junho. São casos que, além de apresentarem alterações no cérebro em exames, sugerem uma infecção ainda na gestação.

Fonte: Folha de São Paulo online

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