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Raia Drogasil lucra mais e eleva meta de expansão

Publicado em 03/11/2015 • Notícias

Crescimento acelerado de vendas com ganho de margem, baixo nível de endividamento – com geração de caixa sustentando a própria expansão – e aumento de participação de mercado. Maior rede de farmácias do país, a Raia Drogasil, com quase 1,2 mil pontos e R$ 9 bilhões em vendas previstas pelo mercado no ano, opera num cenário que parece completamente distante da realidade de boa parte das varejistas do país. Num ambiente em que uma das regras de sobrevivência passa por poupar recursos e reduzir investimentos, a cadeia aplicou R$ 100 milhões do próprio caixa no negócio, 55% acima de 2014, e revisou a meta de aberturas de 130 lojas para 145 neste ano.

“Para 2016, não será menos do que isso. Não fazemos voo de galinha”, afirmou ao Valor o diretor de planejamento corporativo do grupo, Eugênio De Zagottis, bisneto do fundador da Raia.

O que chama a atenção na companhia não é só o conjunto de resultados positivos do ano, em termos de lucro, margem e vendas, mas a forma como se planejou para chegar onde está. Por exemplo, o projeto de abrir 145 lojas em 2015, apesar de anunciado agora, estava sendo traçado desde o começo de 2014, estudado dentro de condições estruturais que pudessem sustentar a alta sem gargalos, como falta de mão de obra. Para se ter uma ideia, esse número de aberturas é quase 50% maior do que três anos atrás.

Ao mesmo tempo que cresce rápido – registrou 20% de alta na receita líquida de julho a setembro (no ano, também sobe 20%) e o lucro avançou 24% (aumentou 65% no ano) – ela ganha terreno de concorrentes. Sua participação de mercado subiu de 9,2% para 10% no último ano – era 8,9% em 2013.

“A empresa tem um bom desempenho e acima da média do mercado, ganhando participação. Outra vantagem é sua saudável estrutura financeira [a relação dívida e lucro operacional está em 0,02], especialmente quando comparado com outros concorrentes nacionais”, escreveu em relatório Maria Paula Cantusio, analista da BB Investimentos.

Há varejistas de diferentes setores, como alimentos e shoppings (caso do Grupo Pão de Açúcar e da Multiplan), também em situação financeira confortável e líderes em seus segmentos, mas crescendo menos e protegendo caixa.

Então, na prática, o que difere a Raia Drogasil envolve também questões operacionais e de mercado. A rede está num setor altamente gerador de caixa, que cresce mesmo na crise – os gastos com medicamentos são considerados prioritários e também são impulsionados por uma mudança estrutural do país, o envelhecimento da população. O varejo farmacêutico ainda tem resiliência maior por vender produtos de beleza, que também sofrem menos em períodos de recessão (ver mais na página B8).

De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), as vendas reais das farmácias avançaram 8,3% de julho a setembro, enquanto o comércio em geral registrou queda de receita de 2,7%.

Somado a isso, a Raia Drogasil ainda é beneficiada pelo fato de alguns concorrentes enfrentarem dificuldades, como a BR Pharma. A empresa tem comprado lotes extras de produtos, que seriam de concorrentes com problemas de caixa, aumentando um pouco o estoque com preço “velho”. Com isso, pode se desfazer das mercadorias por valores mais altos, quando o patamar de preço do mercado subir, ganhando rentabilidade. A margem bruta do grupo já subiu um ponto para 28,9% em 12 meses.

“A Raia Drogasil deve aproveitar o cenário de competição dormente para aumentar a sua posição dominante no mercado e acelerar a sua capilaridade em todas as regiões”, escreveu Guilherme Assis, analista da Brasil Plural, em relatório. Ele atualizou, em agosto, estimativas para a rede com novo preço-alvo para as ações da companhia na bolsa, de R$ 44 por papel (na sexta, fechou em R$ 40), com potencial de valorização de 18%.

“A demanda segue boa e firme, temos quase nada em dívida e geramos capital. Olhar só e não fazer nada porque há uma crise não faz sentido”, diz Zagottis.

Efeito negativo principal hoje sobre números da empresa está numa pressão maior nas despesas operacionais, reflexo do aumento de custos como energia e mão de obra neste ano. Enquanto a receita subiu quase 20% de julho a setembro, as despesas aumentaram 24%. “Inflação é algo que preocupa, mas a tendência é que ritmo de crescimento das despesas, mesmo com abertura de lojas, represente menos da receita nos próximos trimestres”.

A companhia encerrou o mês de setembro com 1.177 lojas em operação – 37 foram abertas e duas fechadas no terceiro trimestre do ano. Seu plano de expansão deve alcançar 17 Estados.

Fonte: Valor Econômico

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