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Só 20% dos médicos fazem diagnóstico baseado em evidências, diz especialista

Publicado em 30/08/2015 • Notícias

Tecnologias avançadas para diagnóstico podem agilizar tratamentos, mas médicos ainda precisam se preparar para a aplicá-las. Diagnóstico: a base para prevenção e tratamento de doenças foi o tema da terceira mesa de debates do Fórum de Tecnologia e Acesso à Saúde, realizado pela Folha no Tucarena, em São Paulo, nesta segunda (31).

Participaram da mesa o cirurgião Robinson Poffo, responsável pelo Programa Cirúrgico de Transplante Cardíaco do Hospital Albert Eistein, Álvaro Nagib Attalah, diretor do Centro Cochrane Brasil, e Armando Lopes, vice-presidente de Healthcare da Siemens.

Poffo discorreu sobre a aplicação da cirurgia robótica, cuja aplicação para a área de cardiologia no Brasil é das mais recentes em todo o mundo: começou a ser implementada há quatro anos. Hoje presente em 13 instituições em todo o país, a técnica vem ajudando a reduzir o tempo médio de internação dos pacientes de 12 para apenas quatro dias e é um exemplo de tecnologia de ponta que vem ajudando as instituições a racionalizar custos e aumentar a eficiência dos procedimentos.””Incorporamos a tecnologia para agregar segurança ao atendimento dos pacientes, e ela tem mostrado que pode ser uma solução para os problemas do sistema publico, em razão da eficiência que traz””, afirmou Poffo.

O cirurgião reconhece que o alto custo de tecnologias de ponta como a cirurgia robótica pode ser um empecilho para sua disseminação pelo país, mas o modelo de parcerias público-privadas entre hospitais privados e o sistema público de saúde deve ser o primeiro passo da adoção dessas tecnologias.

“”A incorporação dessas tecnologias deve começar nas instituições de alta performance, para depois ser levada à rede pública por meio de parceria. Talvez nem seja preciso aumentar o número de leitos, e sim sermos mais eficientes no uso das tecnologias.””

A cirurgia robótica, disse Poffo, há cinco anos era “”um sonho distante”” e hoje já permite a redução nos custos com internação de pacientes na rede privada.

A aplicação de tecnologias avançadas no diagnóstico de doenças encontra respaldo legal no Brasil, mas deve estar baseada nas melhores evidências científicas disponíveis, de acordo com a Lei 12.401. Na prática, porém, apenas 20% dos médicos brasileiros têm seu aprendizado baseado em evidências, ressaltou Álvaro Nagib Attalah, do Centro Cochrane Brasil.

O Cochrane é uma organização sem fins lucrativos que atua no mapeamento do conhecimento disponível na área de saúde e na elaboração e divulgação de revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados, o mais alto nível de evidência científica no setor.

“”Muitos médicos, ao fazerem um diagnóstico, partem para condutas que fazem mais mal do que bem, e isso ocorre porque falta conhecimento científico na tomada de decisão””, afirmou Attalah.

Segundo Attalah, até as disputas na Justiça em razão de procedimentos médicos – a chamada judicialização – poderiam ser reduzidas em mais de 70% se as evidências científicas fossem mais usadas na tomada de decisão. Em razão disso, o Centro Cochrane tem realizado parcerias com entidades ligadas à Justiça para disseminar o conhecimento baseado em evidências entre juízes e promotores.

Outro convênio é com o Ministério da Saúde, onde 30 mil profissionais da área já foram treinados com esse enfoque. A escolha de procedimentos clínicos utilizando o conceito de saúde baseada em evidências tem sido um dos trunfos do programa ObamaCare, nos EUA.

“”Se a lei exige evidências científicas, é pra assegurar a saúde do paciente. É preciso racionalizar os custos da saúde no Brasil, mas sempre analisando o custo-benefício. Podemos economizar em tudo, menos em avaliação tecnologica de qualidade, que ajuda a prevenir o desperdício de recursos públicos””, afirmou Attalah.

A tecnologia tem que ser vista como investimento, não como custo, na avaliação de Armando Lopes, vice-presidente sênior da Siemens Healthcare do Brasil. “”Ela tem que se pagar, ter pé e cabeça e trazer retorno para quem investe, por isso é preciso gerar evidências””, disse.

Segundo o executivo, as tecnologias na área de saúde tendem a baratear à medida que são incorporadas pelos hospitais, o que dá espaço para que novas fronteiras tecnológicas, como o uso de aplicativos para diagnósticos à distância (hoje já utilizados no Brasil na área de oftalmologia) e de impressões 3D se tornem mais competitivos no médio prazo.

“”Esse conhecimento é importante na ampliação do acesso à saúde, pois vai permitir diagnosticar e tratar um número maior de pessoas com melhor retorno para as instituições de saúde””, afirmou Lopes.

Fonte: Folha de S.Paulo / site

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