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Vitamina antimosquito?

Publicado em 04/01/2016 • Notícias

Diante do alarme gerado por doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, alguns médicos têm receitado vitaminas do complexo B como alternativa para afastar mosquitos.
A indicação se baseia na hipótese de que, após a ingestão das substâncias, a pele exalaria um cheiro que espantaria insetos —principalmente o transmissor de dengue, chikungunya e zika, este último associado à microcefalia em recém-nascidos.
Para especialistas, não há evidências nem de que a estratégia funcione nem de que ela cause efeitos colaterais.
“Tem lógica, mas não comprovação científica”, afirma Rodrigo Castro, ginecologista e professor da Universidade Federal de São Paulo. “Muita gente receita, mas já tive várias pacientes gestantes que tomaram altas doses de complexo B e ainda assim pegaram dengue.” Segundo ele, se tomadas em grandes quantidades, as substâncias serão metabolizadas e eliminadas pelo organismo, mas não trazem riscos.
“As moléculas são seguras e já aparecem nos complexos vitamínicos recomendados para grávidas.” Opinião semelhante tem o infectologista Max Igor Banks, do Hospital Santa Catarina, em São Paulo. “Se a pessoa quer usar, não tem nenhum mal, mas não há evidência prática de que funcione.” Segundo ele, mesmo que a vitamina tenha alguma eficácia, ela é baixa. Para uma proteção próxima de 100%, seria necessário usar repelente.
Rosana Ritchmann, médica do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, concorda.
“Se um paciente me diz que está tomando complexo B,eu não contraindico, mas aviso que ele tem que se proteger também por outros meios.” histórico A ideia de receitar as vitaminas para evitar picadas surgiu após a publicação de artigos científicos na década de 1960 que afirmavam que a tiamina (vitamina B1) em altas doses teria capacidade de espantar mosquitos.
Na mesma década, porém, outros trabalhos desmentiram essa informação.
Desde então, saíram poucos estudos sobre o tema. Eles apontam para o consenso de que não se pode afirmar que vitaminas do complexo B sejam eficazes como repelentes.
Um desses trabalhos, publicado recentemente no “Journal of Insect Science”, avaliou repelentes disponíveis nos EUA.
Aqueles com o princípio ativo DEET se saíram bem, reduzindo (mas não eliminando) a aproximação de mosquitos.
Já o adesivo de tiamina, com duração alegada de 36 horas, não teve efeito em afastar o Aedes aegypti.
Para o entomologista (especialista em insetos) e professor da Unesp Paulo Ribolla, a hipótese de vitaminas do complexo B funcionarem como repelente está na mesma categoria da indicação do alho com igual finalidade: “não passa de crendice popular”.
“Não é porque existe um cheiro saindo da pele que o mosquito acha aquilo desagradável”, diz.
Oque pode fazer diferença de uma pessoa para outra são características individuais.
Um consenso científico sobre oque atrai ou repele mosquitos é que há uma imensa variabilidade, a ponto de algumas pessoas serem praticamente imunes a insetos e outras serem alvos preferenciais.
Entre os fatores que poderiam explicar essa diversidade estão a espessura da pele, a produção de suor e de ácido lático e outros componentes do sangue, afirma a médica Nancy Bellei, coordenadora do comitê de virologia clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Fonte: Folha de S.Paulo

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