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Tecnologia como infraestrutura de modernização do SUS

Publicado em 25/02/2026 • Notícias • Português

Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes prevê UTIs digitais, novo hospital no HC-USP e integração de inteligência artificial, dados clínicos e telemedicina à rede pública de alta complexidade.

 

Neste ano, há um avanço da modernização estrutural do Sistema único de Saúde (SUS) por meio da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes. O projeto prevê investimento total de R$ 4,8 bilhões, com financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, e tem como objetivo integrar inteligência artificial (IA), análise de grandes volumes de dados, telemedicina e sistemas digitais à rede pública de alta complexidade.

A rede envolve cinco hospitais universitários federais, vinculados à Universidade de Brasília (UNB), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), além de centros hospitalares distribuídos nas cinco regiões do país. Segundo o Ministério da Saúde, a meta operacional é reduzir em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em urgência e emergência.

 

O projeto está organizado em três fases:

1ª Fase: prevê a implantação de 14 unidades de terapia intensiva com sistemas digitais integrados em 13 estados.

2ª Fase: inclui a construção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), com previsão é de 800 leitos, sendo 350 UTI e 250 de emergência, além da integração de redes de dados e infraestrutura 5G.

3ª Fase: contempla a modernização de unidades de oncologia, neurologia e hospitais federais, com investimentos adicionais previstos no Novo PAC e em programas específicos de reestruturação.

A estrutura financeira do projeto foi negociada com o banco do BRICS a partir de março de 2025, com missões técnicas e tramitação nos órgãos federais competentes. A contratação depende de aprovação por instâncias como COFIEX, Secretaria do Tesouro Nacional e Senado Federal. O início das obras está previsto para o primeiro trimestre de 2026.

Os serviços inteligentes integram dados clínicos, monitoramento remoto e protocolos assistenciais. A proposta inclui interoperabilidade entre plataformas, conectividade em tempo real e uso de algoritmos para apoio diagnóstico, o que amplia a demanda por dispositivos médicos conectados, softwares clínicos certificados e sistemas de gestão compatíveis com os padrões nacionais de informação em saúde.

O projeto também prevê a criação de um Centro Nacional de Pesquisa vinculado aos hospitais universitários participantes, com foco na aplicação de ciência de dados à medicina de precisão e na produção acadêmica integrada à prática clínica.

Outro componente relevante é o Plano Nacional para Unidades de Saúde Resilientes, que estabelece critérios de continuidade operacional em situações de enchentes, ondas de calor e interrupções no fornecimento de energia, incluindo a exigência de avaliação de risco climático na infraestrutura hospitalar.

 

Para o setor de tecnologias médicas, a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes

altera parâmetros de contratação pública. Projetos de grande porte tendem a priorizar soluções interoperáveis, integração entre hardware e software e capacidade de manutenção ao longo do ciclo de vida dos equipamentos. A Anvisa, inclusive, estuda o uso de sandboxes regulatórios — modelos de financiamento multilateral, que também impõem exigência técnicas e prazos contratuais específicos —, para adaptação das normas a essas tecnologias emergentes.

A Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes amplia o uso de tecnologia digital no SUS e redefine a organização da alta complexidade hospitalar. A execução dependerá da coordenação entre entes federais, instituições acadêmicas e fornecedores de tecnologia.

 

 

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