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ABIMED promove diálogo sobre avaliação de tecnologias em saúde

Publicado em 18/06/2026 • Notícias • Português

A ABIMED reuniu sociedades médicas, associações de pacientes, representantes do governo e da indústria no Diálogos ABIMED, realizado em 16 de junho no Hotel Radisson Red Ibirapuera, em São Paulo. O encontro tratou da avaliação de tecnologias em saúde (ATS) aplicada a procedimentos e dispositivos médicos e do que entidades de médicos e pacientes precisam saber para atuar nesses processos.

A abertura coube ao presidente-executivo da ABIMED, Fernando Silveira Filho, e contou com a presença da representante do DGITS/SCTIE/MS, Nicole Freitas. Silveira Filho situou o trabalho da associação para fortalecer e qualificar a ATS de procedimentos e dispositivos médicos no Brasil como um processo contínuo, que não se encerra em um único documento ou eventos. Nicole Freitas destacou a atuação do Ministério da Saúde no aprimoramento metodológico da Conitec, com a criação de comitê específico para dispositivos médicos.

No primeiro debate orientado, Murilo Contó, coordenador do Comitê de ATS e Acesso da ABIMED, conduziu uma discussão sobre as particularidades dos dispositivos médicos frente aos medicamentos. Ele apontou que o ciclo de inovação de um dispositivo médico gira em torno de 18 a 24 meses, ante anos de proteção patentária de um medicamento, o que torna escasso o ensaio clínico randomizado e exige outras formas de evidência. “Cada dispositivo tem um DNA próprio”, afirmou, ao tratar da dependência do operador e da curva de aprendizado. Contó também questionou a sobreposição de instâncias de avaliação no país e a defasagem tecnológica de cerca de oito anos em relação aos mercados americano e europeu.

No segundo debate, o professor da Universidade Federal de São João del-Rei, Altacílio Aparecido Nunes, abordou a análise de decisão multicritério (MCDA) e os dados de mundo real. Defendeu que a evidência de mundo real traz validade externa ao processo, ao captar a prática clínica que o ensaio randomizado não acompanha. Para Nunes, o estudo observacional precisa ser prospectivo e bem conduzido, e a avaliação de dispositivos deve incorporar o impacto orçamentário e dimensões como custo total de propriedade e curva de aprendizado.

O primeiro painel interativo reuniu experiências de sociedades médicas na Conitec e na Cosaúde. Wolney Gois Barreto apresentou a atuação da ABHH na construção de dossiês e na participação em consultas públicas. Luiz Sérgio Grillo relatou a trajetória da SOBRICE nas terapias ablativas e endovasculares e cobrou modelos de cooperação e risco compartilhados. José Airton Arruda, da SBHCI, defendeu o papel das sociedades na certificação de profissionais e na organização de registros. A mediação foi do diretor regional da ABIMED em Brasília, Felipe Carvalho, que conduziu os blocos ao longo do dia e ressaltou a distância entre incorporação e disponibilização efetiva das tecnologias.

O segundo painel, mediado por Anúncia Bouzas, gerente de acesso ao mercado da Siemens Healthineers e membro do Comitê de ATS e Acesso da ABIMED, tratou do envolvimento de associações de pacientes. Verônica Stasiak, fundadora do Instituto Unidos pela Vida, defendeu que a participação social qualifica a decisão em ATS e apontou lacunas na forma como as contribuições de consultas públicas são valoradas pelos comitês. Vanessa Pirolo, presidente da Federação Vozes do Advocacy, relatou os entraves de participação, entre eles a documentação exigida e a assimetria no direito a voto. Perla Sachs Kindi, especialista em Advocacy e Políticas Públicas do Instituto Oncoguia apresentou seu trabalho de preparo de pacientes para participação qualificada nos processos.

No wrap up, o gerente sênior de acesso ao mercado LATAM da Strattner e vice-coordenador do Comitê de ATS e Acesso da ABIMED, Anderson Fernandes, sistematizou os desafios discutidos: a diferença entre incorporação e acesso, os prazos de criação de código e os custos. A consultora técnica da CBHPM da Associação Médica Brasileira (AMB), Miyuki Goto, tratou da contratualização entre operadoras e prestadores no caso da cirurgia robótica e apontou a falta de dados de mundo real como obstáculo à avaliação das tecnologias já incorporadas.

A ABIMED agradece a todos os participantes e segue reunindo médicos, pacientes, governo e indústria no debate sobre ATS. O material do evento será disponibilizado no YouTube da ABIMED em breve.

 

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