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ABIMED e FIA realizam oficina do OPS 2050 na sede da CNI

Publicado em 30/04/2026 • Notícias • Português

A ABIMED promoveu, em 28 de abril, uma oficina na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a FIA e o Movimento Empresarial pela Saúde (MES). O encontro reuniu gestores e especialistas do setor para debater as perspectivas do sistema de saúde brasileiro até 2050.

O professor Dr. Carlos Honorato, da FIA, conduziu a sessão de forma a estimular reflexões e contribuições dos participantes, com foco na obtenção de insumos para a estruturação e o aprofundamento do projeto OPS2050. A dinâmica partiu de uma premissa central do próprio projeto: o debate sobre a saúde no Brasil tende a olhar para o passado, quando o desafio real está em projetar e construir o futuro do sistema. 

Fernando Silveira Filho, presidente-executivo da ABIMED, contextualizou a iniciativa. A associação, que completa 30 anos em 2026, idealizou o Observatório Permanente da Saúde 2050 a partir do entendimento de que a saúde no Brasil demanda políticas de Estado, e não apenas políticas de governo.

A oficina utilizou a metodologia de brainwriting para estruturar a coleta de percepções e contribuições dos participantes, em alinhamento com os objetivos do projeto OPS2050. Houve consenso quanto à necessidade de refletir e avançar na construção de propostas de transformação para o sistema de saúde brasileiro, de forma prospectiva e estruturada. Entre os temas que concentraram maior atenção estiveram os desafios financeiros enfrentados pelo sistema, o crescimento da judicialização, o desperdício de recursos, a ausência de interoperabilidade entre os sistemas público e privado e a ainda limitada adoção de políticas orientadas por dados. 

O envelhecimento da população figurou entre as certezas relativas mais citadas. A projeção de que o Brasil terá mais idosos do que jovens foi apontada como um ponto de inflexão crítico para o sistema de saúde. Paralelamente, os participantes destacaram a necessidade de avançar na digitalização da saúde e na integração dos sistemas, com atenção especial à interoperabilidade entre o SUS e a saúde suplementar. 

A mudança cultural na forma como a população consome saúde também foi tema central. A preferência pelo atendimento especializado em detrimento da atenção primária, a baixa adesão a modelos preventivos e a ausência de protocolos coordenados foram citadas como barreiras estruturais. A experiência do modelo espanhol, compartilhada por participantes que visitaram Barcelona, serviu como referência para discutir práticas que podem ser adaptadas à realidade brasileira. 

As contribuições reunidas na oficina reforçam o papel do Observatório Permanente da Saúde 2050 como um espaço estruturado de reflexão e articulação em torno do futuro do setor. A partir dos insumos coletados, o projeto avança na consolidação de uma visão de longo prazo para a saúde no Brasil, promovendo o diálogo entre diferentes atores e estimulando a construção de propostas capazes de orientar políticas públicas, estratégias setoriais e decisões institucionais compatíveis com os desafios e oportunidades das próximas décadas.

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