Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Pesquisa aponta subfinanciamento e gestão como maiores riscos para a saúde até 2050

Publicado em 25/06/2026 • Notícias • Português

O subfinanciamento e as falhas de gestão e governança são vistos como os maiores riscos para a sustentabilidade da saúde brasileira nos próximos 25 anos. É o que aponta pesquisa da FIA em parceria com a ABIMED, que ouviu 135 especialistas em maio deste ano. Para 55% deles, o subfinanciamento é a principal vulnerabilidade; 49% citam a fragilidade de gestão e governança.

O diagnóstico não é conjuntural, mas estrutural. Na sequência das vulnerabilidades mais citadas aparecem as desigualdades regionais, com 40% das menções, e o envelhecimento populacional, apontado por 36% dos participantes. A leitura conjunta desses dados mostra um sistema pressionado por problemas de fundo, que não se resolvem no curto prazo.

A pesquisa partiu do diagnóstico do Observatório Permanente da Saúde, consolidando três consultas a profissionais e gestores do setor. Os temas cobriram desafios estruturais, inovação, transformação digital e prioridades de política pública.

Quando o assunto é política pública, há o consenso de que a melhoria da gestão e da eficiência é a prioridade para 89% dos respondentes. Na qualidade do atendimento, as causas variam por sistema. No SUS, pesam mais recursos e infraestrutura (74%) e gestão (70%). Nos planos de saúde, os maiores desafios são custos (67%) e negativas de cobertura (66%).

A transformação digital ocupa o centro da agenda do setor. Nas respostas abertas, foi o tema mais recorrente, com 51% das menções, seguido por gestão e governança (45%) e atenção primária e prevenção (30%). Interoperabilidade, dados e inteligência artificial aparecem como vetores de mudança do sistema.

Para Fernando Silveira, presidente-executivo da ABIMED, os números confirmam os desafios que serão enfrentados nos próximos anos. “Os resultados da pesquisa reforçam que os gargalos da saúde no Brasil são estruturais e exigem uma agenda de longo prazo. Mais do que apontar vulnerabilidades, o levantamento mostra a urgência de fortalecer a gestão, garantir financiamento sustentável e acelerar a transformação digital como pilares para um sistema mais eficiente, integrado e resiliente até 2050”, afirma.

Entre os públicos ouvidos, os associados da ABIMED dão peso ainda maior ao subfinanciamento, citado por 77% deles. A base mais ampla destaca também as desigualdades regionais e a dependência externa. A convergência entre os grupos aparece em torno da interoperabilidade, dos dados e do fortalecimento da atenção primária como caminhos para transformar o sistema.

Mais notícias e eventos