ESG avança da estratégia para a execução no setor de saúde
Publicado em 27/07/2026 • Notícias • Português
O debate sobre sustentabilidade corporativa entrou em uma nova fase. Se nos últimos anos o ESG esteve associado principalmente à definição de metas e compromissos públicos, hoje a atenção de investidores, reguladores, clientes e parceiros está cada vez mais voltada à capacidade das organizações de demonstrar resultados concretos.
Essa mudança reflete uma agenda que deixou de ser apenas uma declaração de intenções para se tornar parte das decisões estratégicas das empresas. Questões relacionadas a emissões, consumo de recursos, gestão de resíduos, diversidade, responsabilidade social, transparência e governança passaram a influenciar riscos, reputação, competitividade e acesso a mercados.
A transição da estratégia para a execução, entretanto, ainda encontra obstáculos importantes. Uma revisão de 399 estudos sobre práticas ESG em mercados emergentes, publicada em junho na revista Administrative Sciences, identificou como principais barreiras fatores relacionados à fragilidade institucional e regulatória, instabilidade econômica, assimetrias de informação e limitações de capacidade técnica.
Os resultados ajudam a explicar um desafio recorrente em diferentes setores: a dificuldade de produzir, organizar e validar dados capazes de demonstrar o desempenho socioambiental das organizações. Mais do que medir impactos, é necessário garantir consistência metodológica, comparabilidade e credibilidade das informações utilizadas na tomada de decisão.
No campo da saúde, essa realidade assume características próprias. A gestão do ciclo de vida de dispositivos médicos, o descarte adequado de materiais, o consumo energético de ambientes hospitalares, a logística de produtos sensíveis à temperatura e a rastreabilidade de insumos são exemplos de temas que exigem monitoramento constante e informações estruturadas.
À medida que os requisitos de sustentabilidade ganham espaço nas cadeias de suprimentos globais, empresas que conseguem integrar governança, indicadores e processos tendem a ampliar sua capacidade de adaptação a novas exigências regulatórias e de mercado.
A discussão é especialmente relevante para o futuro da saúde devido à crescente pressão por sistemas mais eficientes, resilientes e sustentáveis. O envelhecimento populacional, o aumento das doenças crônicas e a expansão da demanda por tecnologias cada vez mais sofisticadas ampliam a necessidade de equilibrar inovação, acesso e responsabilidade socioambiental.
Nesse contexto, a agenda ESG deixa de ser apenas uma questão reputacional e passa a contribuir para a gestão de riscos e para a sustentabilidade de longo prazo das organizações. Processos estruturados de monitoramento podem apoiar decisões relacionadas à redução de desperdícios, uso eficiente de recursos, conformidade regulatória e fortalecimento das cadeias de fornecimento.
Além disso, a qualidade das informações disponíveis torna-se fator estratégico. Sem indicadores confiáveis, empresas e instituições enfrentam dificuldades para estabelecer prioridades, avaliar resultados e demonstrar o impacto efetivo de suas iniciativas socioambientais.
A pauta está alinhada aos esforços da ABIMED voltados ao fortalecimento das boas práticas de sustentabilidade, governança e desenvolvimento do setor de tecnologia para saúde. A Associação acompanha a evolução do tema devido aos seus potenciais impactos sobre o ambiente de negócios, a qualificação das cadeias produtivas e a sustentabilidade do sistema de saúde.
Nesse contexto, iniciativas de capacitação ganham importância para apoiar a transformação de conceitos em práticas aplicáveis ao dia a dia das organizações. O Curso ESG ABIMED – Aspectos Socioambientais foi estruturado com esse objetivo, abordando desde os fundamentos da agenda ESG até temas relacionados aos pilares ambiental e social, com foco nos desafios específicos do setor de saúde.
O avanço dessa agenda tende a depender cada vez menos de compromissos declaratórios e mais da capacidade de implementar processos, desenvolver competências e produzir informações confiáveis. Em um cenário de crescente exigência por transparência e eficiência, transformar dados em gestão e gestão em resultados passa a ser um diferencial relevante para organizações que buscam contribuir para um sistema de saúde mais sustentável e preparado para os desafios das próximas décadas.