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Para Siemens, é hora de mostrar frutos da reforma.

Publicado em 26/01/2016 • Notícias • Português

Após mais de dois anos na liderança do conglomerado industrial alemão Siemens AG, o diretor-presidente Joe Kaeser agora está sob pressão para garantir que a reestruturação que ele fez na empresa valeu a pena.

Hoje, na assembleia anual de acionistas da Siemens, os investidores pretendem lembrar a Kaeser que, depois de vários anos de estagnação e mudanças, este precisa ser um ano de melhorias operacionais e lucros maiores. Mas essa meta pode se tornar mais difícil devido às incertezas econômicas, incluindo os preços baixos do petróleo e a desaceleração da economia chinesa.

“Kaeser está sob pressão para apresentar resultados já que as ações da Siemens tiveram um desempenho bastante abaixo do índice alemão DAX nos últimos cinco anos”, diz Christoph Niesel, gestor de fundos da Union Investment, um dos acionistas da Siemens. A ação da Siemens fechou ontem com alta de 0,2%, para 83,41 euros.

Desde que se tornou diretor-presidente, em julho de 2013, Kaeser simplificou a organização da Siemens, vendeu unidades e cortou 13 mil postos de trabalho na empresa, que hoje emprega em torno de 348 mil pessoas.

Ele também fortaleceu as operações de petróleo e gás por meio de duas aquisições e separou a divisão de saúde em uma entidade independente. Investidores e analistas acreditam que a medida indica um possível desmembramento da divisão. A Siemens não quis comentar para este artigo.

O Vision 2020, programa de eficiência liderado por Kaeser, tem como meta gerar economias de custos de até 500 milhões de euros neste ano. O executivo também tem tentado recompensar os acionistas. Em novembro, ele lançou um novo programa de recompra de ações no valor de até 3 bilhões de euros e propôs elevar os dividendos da empresa em 6%, para 3,5 euros, no ano fiscal de 2015, que se encerrou em 30 de setembro.

Os investidores querem detalhes dos cortes e da expansão da Siemens, dona de uma linha de produtos diversificada que inclui turbinas eólicas e a gás, equipamentos de automação industrial, trens e escâners de imagens médicas.

Niesel diz que a Union Investment tentará obter de Kaeser “mais detalhes” sobre as áreas de crescimento fora da divisão de petróleo e gás e sobre possíveis planos para enxugar operações no futuro. “Queremos uma empresa mais focada”, diz ele. “Nós investidores não gostamos de conglomerados.”

Outros investidores dizem que, apesar dos desinvestimentos promovidos por Kaeser, a Siemens continua sendo uma empresa diversificada demais e com pouca coerência. Um investidor institucional disse que, na assembleia de hoje, vai declarar que sua empresa “vai sugerir mais reestruturações”. Há ainda “gordura” para cortar, diz ele.

A Siemens não quis comentar.

Ao contrário de concorrentes como General Electric Co., ABB Ltd. e Schneider Electric SE, a Siemens “não está investindo o suficiente para otimizar as estruturas de custo”, diz Andreas Willi, analista do banco J.P. Morgan. A empresa “parece conquistar muitas encomendas grandes, mas há suspeitas no mercado de que a Siemens esteja obtendo algumas dessas encomendas para evitar mais reestruturações”, diz Willi.

A Siemens “tem registrado baixas contábeis ligadas a projetos, algumas substanciais, na maior parte dos últimos 20 anos”, diz Willi. “2015 foi uma exceção notável”.

O mais recente contrato significativo da Siemens foi um acordo de geração de energia de 8 bilhões de euros com o Egito, o maior pedido individual da história da empresa. Como parte do negócio, a Siemens deve fornecer ao Egito três usinas de energia movidas a gás natural que começarão a funcionar em 2017, além de até 12 estações eólicas.

Os investidores têm manifestado receios quanto à realização desse projeto, em parte devido às incertezas políticas no Egito. Kaeser disse neste mês que o projeto do Egito estava adiantado. Se tiver sucesso, o acordo pode impulsionar as vendas de equipamentos de geração de energia e serviços da empresa em até 10%, segundo analistas da RBC Capital Markets.

Um desafio maior para a divisão de energia e gás é que a expansão feita por Kaeser ocorreu justamente quando os preços do petróleo desabaram. A queda se acentuou no ano passado, enquanto a Siemens fechava a aquisição da fabricante americana de equipamentos de petróleo Dresser-Rand, um negócio de US$ 7,6 bilhões. Os analistas da RBC estimam que as vendas da área de petróleo e gás da Siemens cairão quase 20% neste ano em comparação com 2015, contribuindo para que as vendas totais da unidade de energia e gás recuem.

A divisão Digital Factory, da Siemens, que inclui as empresas de software e automação industrial e também as de sistemas de controle de movimento e produtos de controle, continua a ser uma das mais lucrativas. Mas suas vendas também estão sendo afetadas por sua forte exposição ao mercado chinês. O negócio de automação, cuja maioria dos contratos são de curta duração, será a mais atingida, dizem analistas.

A Siemens parece interessada em continuar ampliando sua presença no setor digital. Ela acaba de fechar um acordo para comprar a empresa americana de software de engenharia CD-adapco por US$ 970 milhões, confirmaram ontem as duas empresas.

A estimativa de Kaeser para este ano se baseia em uma recuperação macroeconômica na segunda metade do ano fiscal, que começa em abril. Mas muitos analistas e investidores têm dúvidas e acreditam que a Siemens pode ter que reduzir suas previsões de lucro para este ano.

Em novembro, a Siemens afirmou que esperava um lucro básico por ação entre 5,9 euros e 6,2 euros no ano fiscal de 2016, ante 5,18 euros no ano anterior.

Ontem, Kaeser já deu o primeiro sinal de que a Siemens está avançando. A empresa anunciou um salto de 42% no lucro líquido do primeiro trimestre fiscal, que terminou em 31 de dezembro, para 1,53 bilhão de euros (US$ 1,65 bilhão), superando a expectativa dos analistas. O resultado foi beneficiado por efeitos cambiais. A Siemens agora elevou as expectativas de lucro para o ano.

Fonte: Valor Econômico

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