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ABIMED participa de seminário na Câmara sobre humanização do cuidado oncológico

Publicado em 28/05/2026 • Notícias • Português

A ABIMED esteve representada no seminário “Pacientes com câncer: Como tratar com humanidade?”, realizado na tarde desta terça-feira (26/05) na Câmara dos Deputados, no Plenário 13. O evento foi convocado pela Comissão de Saúde em conjunto com a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a partir de requerimento das deputadas Silvia Cristina (PP/RO) e Geraldo Resende (PSDB/MS).

Felipe Carvalho apresentou o papel dos equipamentos e dispositivos médicos em todo o percurso do tratamento oncológico: do diagnóstico por imagem à cirurgia, da radioterapia à reabilitação com órteses, próteses e dispositivos de apoio à comunicação. A fala situou a ABIMED no debate sobre acesso, ressaltando que a tabela SUS frequentemente não remunera de forma adequada as tecnologias já incorporadas pela CONITEC, o que impede que o paciente usufrua do que foi formalmente aprovado.

Carvalho também abordou a incorporação recente da cirurgia robótica pelo SUS, na última quarta-feira (25) e os ganhos que ela representa para pacientes oncológicos, com menor morbidade e recuperação mais rápida. Ponderou, porém, que incorporação sem orçamento garantido não se traduz em acesso real, e defendeu que as avaliações de tecnologia em saúde incluam critérios de qualidade de vida e comodidade de uso, além de eficácia e segurança.

O seminário reuniu oncologistas, fonoaudiólogos, nutricionistas, cirurgião-dentistas e representantes de associações de pacientes e do governo. A médica oncologista Kátia Marchetti, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, apresentou dados sobre imunoterapia adjuvante no câncer de cavidade oral. O cirurgião-dentista Caio Cezar Loureiro apontou que o INCA projeta 17.190 novos casos de câncer bucal por ano no triênio 2026-2028, um aumento de 14% em três anos. Mariana Pinho, da ACGB Brasil, discutiu os determinantes comerciais do tabagismo e seus vínculos com o câncer de cabeça e pescoço. A fonoaudióloga Camila Viana, do Hospital do Câncer do Maranhão, apresentou os desafios da reabilitação fonatória e pulmonar de pacientes laringectomizados, com demonstração ao vivo de dispositivos de voz. Nivaldo Barroso de Pinho, presidente da SBNO, trouxe dados do Inquérito Brasileiro de Nutrição Oncológica mostrando que 64% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço chegam à internação já desnutridos. A representante do Ministério da Saúde, Natalie Minoia, coordenadora de estratégias de atenção ao câncer do DECAN, informou que a diretriz para pacientes laringectomizados deve ser finalizada até o final de maio e encaminhada para publicação.

Um ponto recorrente ao longo do seminário foi a distância entre o que está previsto na legislação e o que chega ao paciente. Representantes da ACGB Brasil registraram frustração com a lentidão na implementação de políticas já aprovadas, como a atualização da tabela SUS para próteses bucomaxilofaciais e a criação de ambulatórios de fonoaudiologia na rede pública.

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