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Instituto Ética Saúde lança plataforma de monitoramento e protocolo de transparência para organizações sociais

Publicado em 27/05/2026 • Notícias • Português

No I Seminário Ética Saúde, realizado na OAB-SP, o instituto apresentou ferramentas concretas para rastrear práticas antiéticas no setor e automatizar a prestação de contas de OSS em tempo real.

 

O Instituto Ética Saúde realizou em 4 de maio, na sede da OAB São Paulo, o I Seminário Ética Saúde: Governança e Compliance. O evento marcou o lançamento do ecossistema de ética empresarial da instituição, que reúne 11 anos de trabalho em autorregulação privada e agora se organiza em torno de três entregas práticas: monitoramento de casos, transparência de dados e formação de profissionais.

A principal novidade foi o Radar Ética Saúde, plataforma de acesso público que reúne casos de corrupção no setor mapeados com base em dados abertos, no histórico do canal de denúncias do instituto e em pesquisa desenvolvida com a PUC-SP. O sistema cataloga ocorrências por segmento, por ente federado e por estágio processual, permitindo acompanhar o desfecho de operações que costumam desaparecer da mídia após a repercussão inicial. Em maio, a plataforma já contava com 62 casos registrados. O instituto também divulgou um levantamento sobre notificações intermediárias preliminares em operadoras de planos de saúde: nos 10 maiores grupos econômicos do país, concentrando cerca de 42 milhões de usuários, foram registradas mais de 62.000 ocorrências entre janeiro de 2024 e março de 2026.

A segunda entrega foi um protocolo de prestação de contas para organizações sociais de saúde, desenvolvido em parceria com a prefeitura de Mogi das Cruzes. O modelo conecta os sistemas das OSS diretamente ao portal de transparência municipal por meio de integração de dados, eliminando o delay da prestação de contas mensal e permitindo monitoramento em tempo real das despesas. O projeto piloto cobre 17 unidades de saúde da família no município e deve ser replicável a outras prefeituras. O ponto de partida foi um diagnóstico que identificou que 92% dos recursos repassados pelo município ficam sob gestão das organizações sociais sem visibilidade operacional para o poder público.

Os painéis do seminário reuniram representantes do TCU, da CGU, do Conselho Nacional do Ministério Público e da deputada federal Adriana Ventura. A auditora do TCU Ana Carolina Lemos apresentou dados sobre emendas parlamentares: em 2025, 43% das despesas discricionárias do Ministério da Saúde foram originadas de emendas, ante 3% em 2014. A conselheira do CNMP Grace Stocker e a diretora da CGU Cristine Gansemiller reiteraram abertura para parceria com o instituto nas frentes de prevenção e fomento à integridade privada.

A terceira frente apresentada foi uma proposta de inclusão transversal de ética e integridade nos currículos dos cursos da área da saúde, já encaminhada ao Ministério da Educação e ao Conselho Nacional de Educação. A iniciativa, apoiada pela Associação Médica Brasileira e pela Sobec, defende que a disciplina deixe de ser optativa ou concentrada em um semestre e passe a acompanhar toda a formação do profissional, da graduação aos cursos técnicos.

O evento abriu o Mês da Ética na Saúde e contou com a participação de especialistas e lideranças de destaque do setor, que debateram temas estratégicos relacionados à ética, à transparência e à integridade, além de marcar o lançamento de iniciativas voltadas ao fortalecimento da confiança e da governança na saúde, como o EESEE – Ecossistema Ética Saúde de Ética Empresarial.

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