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Acompanhante cobra R$ 50 por consulta

Publicado em 22/08/2015 • Notícias

Há seis anos, Hsu Hui Min, 60, trabalhava como dentista em São Paulo. Mas decidiu mudar de atividade quando uma amiga chinesa indagou se ela conhecia alguém que poderia atuar como tradutora em uma consulta médica.

Hoje, ela, que é conhecida entre brasileiros como Noemi, cobra R$ 50 sempre que alguma cliente sua chinesa precisa ir ao médico.

“”Elas não sabem nada de nada aqui do Brasil, nem aonde ir nem como andar de metrô. Eu ajudo, busco em casa e faço a tradução””, diz ela, com sotaque carregado, mesmo depois de décadas morando por aqui.

Na última semana, Hsu acompanhava as gestantes Shuixia Wang, 29, e Yanju Han, 30, em consultas de pré-natal, na UBS da Sé. As duas são donas de casa e mulheres de comerciantes que vieram explorar o mercado popular na região da 25 de Março e do Brás.

Há dois anos no Brasil, Yanju, que espera o primeiro filho, pouco aprendeu da língua portuguesa. Quando muito, diz um encabulado “”brigada”” aos profissionais de saúde. Sua amiga Shuixia está há oito meses no país e ainda não aprendeu nenhuma palavra local.

Por isso, as duas contrataram os serviços de Hsu, que entra na sala de consultório e acompanha a consulta. Ela traduz as dúvidas das gestantes e as recomendações de enfermeiros e médicos.

A tarefa só é interrompida quando o celular de Noemi toca –o que não é raro. “”É assim o dia todo. A gente quase não dorme de tantos casos para atender””, afirma.

Ela diz ter atualmente cerca de cem gestantes chinesas como clientes em São Paulo.

Segundo Hsu, em geral, essas imigrantes acreditam que o SUS, por ser controlado pelo governo, é mais confiável do que um consultório privado –pensamento que seria um reflexo da cultura do Estado chinês.

“”Aqui é bom, porque elas encontram todos os serviços num mesmo lugar””, diz Hsu na UBS da Sé. Ela admite, no entanto, que gestantes com mais dinheiro acabam indo a médicos particulares.

Enquanto isso, o SUS não nega atendimento às imigrantes, pois o sistema de saúde foi desenvolvido para ser universal, sem distinção entre brasileiros e estrangeiros residentes no país.

GOLPES

A dificuldade das chinesas com a língua dá margem à atuação de oportunistas.

A enfermeira Andréa Garanito conta que, certa vez, uma chinesa grávida chegou acompanhada de uma peruana, que havia prometido fazer a tradução da consulta.

“”Quando nós falamos que o exame de sangue da chinesa não estava bom, a peruana começou a fazer mímicas e gritou: ‘Sangue. Ruim’. Em português””, conta. “”Para fazer mímica, eu mesma faço””, diz. “”Se for para se fazer de tradutora, aqui ela não entra mais.””

Fonte: Folha de S.Paulo

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