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Einstein e Sírio investem em cursos de graduação

Publicado em 30/06/2016 • Notícias

Dois dos maiores hospitais de São Paulo – o Hospital Israelita Albert Einstein e o Hospital Sírio-Libanês – sempre investiram em centros de ensino e pesquisa com foco na pós-graduação. Agora, eles estão adotando novas estratégias para contribuir com a formação de médicos também na graduação.

No início deste ano, o Hospital Israelita Albert Einstein inaugurou o curso de graduação em medicina, e dará as boas vindas para a segunda turma em julho. Desenvolvido ao longo dos últimos três anos, o curso foi resultado de uma discussão antiga da área de ensino e pesquisa do hospital que, além das residências médicas, já conta com uma graduação em enfermagem e programas de pós-graduação stricto e lato sensu, além de especializações.

Para a seleção da primeira turma, o vestibular contou com quase 11 mil candidatos para 50 vagas – uma relação de 215 disputando cada uma delas. Para a turma que entrará pelo vestibular de inverno, que teve 6 mil inscritos, a novidade é que os resultados obtidos no Enem poderão contribuir para melhorar 20% da nota total da seleção. O processo não tem só provas. Com inspiração no modelo americano, ele também inclui entrevistas com o candidato.

Segundo o diretor da Faculdade de Medicina do Einstein, Alexandre Holthausen, o curso foi pensado após a visita a diversas universidades americanas e europeias, de onde foram tiradas ideias de métodos de ensino, currículo e processo de avaliação. “Os alunos fazem auto-avaliação, dos pares e recebem feedback a cada quatro semanas. As notas são somativas e incluem as provas e essa avaliação formativa que observa ética, profissionalismo, relacionamento e trabalho em equipe”, diz. Além de metodologias que abarcam a prática desde o início do curso, a graduação de seis anos também inclui disciplinas de gestão e liderança, “como se fosse um mini MBA”, diz.

O perfil da primeira turma é majoritariamente feminino e da cidade ou Estado de São Paulo – 20% vieram de fora, embora o vestibular tenha tido inscritos de todos os Estados do país, segundo Holthausen. Dos 50 alunos da primeira turma, 19 têm bolsa integral ou parcial para cobrir a mensalidade de R$ 5.900. A expectativa de Holthausen é oferecer um número similar de bolsas de estudo para as próximas turmas.

Da mesma forma que a maioria dos formados no curso de enfermagem é contratada pelo próprio hospital, Holthausen diz que o Einstein gostaria que “ao menos uma parte” dos novos médicos seja empregada pela instituição no futuro, ainda que os processos de seleção para residência não incluam nenhuma vantagem para os graduados. “Nosso curso pretende formar um médico que sirva para qualquer lugar do planeta e para qualquer tipo de atividade e especialidade que ele escolher”, afirma o diretor.

Outro grande hospital da capital paulista, o Sírio-Libanês tem o histórico de dedicar esforços a cursos de pós-graduação, primeiro com programas de especialização e, a partir de 2012, com cursos stricto sensu de mestrado acadêmico e profissional, além do doutorado. “Somos um hospital de alta complexidade e sempre achamos que, para melhor aproveitamento da infraestrutura e da tecnologia, teríamos um impacto maior na pós-graduação”, diz Luiz Fernando Lima Reis, diretor de ensino e pesquisa do Sírio-Libanês.

O hospital também promove programas de desenvolvimento e apoio a profissionais do SUS, em parceria com o Ministério da Saúde, que devem contar com a participação de quase 17 mil pessoas entre 2015 e 2017.

Desde 2013 o hospital se voltou para atividades na graduação por meio de parcerias com faculdades de medicina já existentes, públicas e privadas. Hoje são nove instituições participantes, número que deve aumentar nos próximos anos, segundo Reis. “Achamos que, mais efetivo do que formar novos médicos, seria apoiar algumas escolas e melhorar a graduação delas”, afirma.

O Sírio-Libanês atua com apoio no desenvolvimento do currículo, aulas a distância e na disseminação de um teste desenvolvido em parceria com a instituição americana de certificação National Board of Medical Examiners. A avaliação é realizada pelos alunos anualmente, e permite que eles comparem a sua evolução. “A escola recebe um relatório cujas notas refletem as notas médias dos alunos em relação ao ano anterior e outras escolas que participam do programa”, diz.

Fonte: Valor Econômico

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