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Mais Médicos ampliou acesso a medicamento, diz Ministério da Saúde

Publicado em 13/07/2015 • Notícias

Levantamento realizado pela primeira vez pelo Ministério da Saúde mostra que o programa Mais Médicos, que completa dois anos em setembro, ampliou o acesso da população a medicamentos. Dados obtidos com exclusividade pelo Valor apontam que as receitas prescritas por médicos do Mais Médicos já representavam, no mês passado, 11% das compras de medicamentos do Farmácia Popular, programa em que o governo dá 90% de desconto ou gratuidade em 113 itens de saúde.

A pesquisa, desenvolvida para medir indiretamente o efeito do Mais Médicos sobre a assistência à população, indica que o efeito foi mais expressivo nas regiões mais desassistidas, segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro. “”Como o programa só vende medicamento prescrito pelo médico, é um dado objetivo de ampliação da oferta””, diz o ministro, que destaca que a maioria da população, no entanto, retira seus medicamentos gratuitos nas próprias unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre setembro de 2013 e junho de 2015, dos 24 milhões de pessoas atendidas no Farmácia Popular, 2,7 milhões apresentaram receitas prescritas por profissionais do Mais Médicos. Dessa parcela, 1,022 milhão (36,8%) retiraram os remédios pela primeira vez. Para o ministério, isso indica que eram pacientes que até então não tinham acesso a atendimento médico ou desconheciam o Farmácia Popular.

“”É um dado impressionante e objetivo que mostra a ampliação da assistência médica””, diz Chioro. No Norte e Nordeste do país foi observada a maior participação das receitas do Mais Médicos no Farmácia Popular no período, 18,6% e 17%, respectivamente.

Nesses quase dois anos, os Estados com maior fatia de receitas prescritas pelo Mais Médicos foram Rondônia (41,5% das receitas do Farmácia Popular no Estado), Roraima (38,8%) e Ceará (23,3%), áreas que tinham maior carência de profissionais de saúde.

Na lista dos remédios mais demandados nos balcões do Farmácia Popular, aparecem os que combatem hipertensão, colesterol e triglicérides, diabetes e os anticoncepcionais. Na visão do ministro, o dado mostra que 80% das necessidades de saúde da população podem ser resolvidas nas unidades de saúde básica, que é o foco do Mais Médicos e ajuda a “”desafogar”” o movimento nos hospitais.

Criado para ser uma das respostas do governo às manifestações populares de junho de 2013, o programa Mais Médicos foi à época recebido com forte rejeição por grande parte da classe médica brasileira, que criticava principalmente a atuação dos médicos estrangeiros, em especial os cubanos, sem que seus diplomas fossem revalidados no Brasil.

“”Acho que não se considerou os interesses da população em determinados momentos, os interesses corporativos falaram mais alto””, diz o ministro a respeito das críticas. “”Com dois anos, vai ficando cada vez mais claro que faltavam médicos, que a sociedade precisava desses médicos, que a estratégia foi correta””, diz Chioro, que destaca que, na mais recente chamada do programa, 100% das vagas foram atendidas por profissionais brasileiros. “”O momento de maior tensionamento começa a se dissipar, a razão começa a preponderar””, diz.

Até 2014, 14.462 médicos foram enviados para 3.785 municípios, beneficiando 50 milhões de pessoas, segundo estima a pasta. Com a expansão em 2015, o número de médicos cresceu para 18.240 médicos em 4.058 municípios, para aproximadamente 63 milhões de brasileiros.

O ministro diz ainda que o ajuste fiscal não irá atrapalhar os objetivos do programa, que prevê ofertar 2.290 vagas de graduação em medicina em 36 municípios. Na semana passada, a pasta anunciou a escolha das instituições de ensino superior particulares que devem implantar o curso até 2016. Desde a criação do Mais Médicos, 7.596 novas vagas foram autorizadas.

Segundo o ministro, a ampliação é um compromisso do governo federal e levará mais atendimento a outras regiões do país. “”É a primeira vez que o interior terá mais vagas que as capitais.””

Fonte: Valor Econômico

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