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Operadoras buscam médico de família para reduzir custo

Publicado em 22/07/2015 • Notícias

As seguradoras e operadoras de planos de saúde estão recorrendo ao médico de família para ajudar a controlar os gastos dos usuários de planos de saúde.

O conceito é que o paciente seja atendido primeiro por um médico generalista a fim de reduzir suas idas ao pronto-socorro ou em vários outros médicos.

Esse modelo é inspirado em experiências da Europa e Estados Unidos, onde o médico de família é conhecido pelas operadoras, não à toa, como “”gatekeeper”” ou porteiro, numa tradução livre. Já entre a população o termo mais usual é “”primary care”” (ou atendimento básico).

No Brasil, operadoras como Unimed-BH, Intermédica e Bradesco Saúde também têm seus “”médicos guardiões””.

A cooperativa médica de Belo Horizonte (Unimed-BH) criou um plano de saúde 10% mais barato em que o paciente necessariamente é atendido primeiro pelo médico de referência. Atualmente, esse plano de saúde, que ganhou o nome de Unimed Pleno, atende aos funcionários do shopping Pátio Savassi, Vilma Alimentos, Denso Sistemas Térmicos e do Mercado Central de Belo Horizonte. No total, são 5,6 mil pessoas.

Criado em 2013 como um projeto-piloto, o Unimed Pleno registrou uma redução de procedimentos em pronto-socorro, onde os gastos são maiores pois o médico de plantão não tem o histórico do paciente e são necessários vários exames.

Há dois anos, 32% das consultas totais registradas pelo Unimed Pleno eram realizadas em hospitais. Agora o percentual é de 17%. Em contrapartida, mais do que dobrou o número de atendimentos em consultórios. Segundo a Unimed-BH, o saldo é positivo.

“”Nos três meses iniciais, o custo aumentou porque muitos funcionários procuraram os médicos de referência que atendem num prazo curto. Mas, depois, o custo caiu e a mensalidade do plano de saude não teve reajuste nos últimos dois anos””, diz Rita Cecília Bruschi Karmaluk, gerente de RH do Mercado Central de Belo Horizonte.

A Unimed-BH criou unidades próprias com clínico geral, pediatra, cardiologista, ginecologista e médico de família. “”Esses profissionais passam por uma capacitação de atenção primária e precisam fornecer seus telefones e e-mails aos pacientes. Além disso, as consultas com os médicos de referência são isentas de coparticipação [taxa paga pelo usuário do plano de saúde]””, disse José Augusto Ferreira, diretor da Unimed-BH.

A Bradesco Saúde não tem unidades próprias (como clínicas e hospitais), mas montou uma rede com cerca de 500 profissionais de diferentes especialidades (pediatria, clínica médica, traumato-ortopedia, coluna e diabetes) que desempenham o papel do médico de família.

“”No nosso modelo, não há obrigatoriedade e sim incentivo. Nos Estados Unidos, essa imposição causou insatisfação dos clientes””, disse Marcio Coriolano, presidente da Bradesco Saúde. Nos primeiros 12 meses do programa, batizado de Meu Doutor, foram 150,7 mil consultas com esse grupo de médicos. Já no segundo ano, esse número mais do que dobrou. Segundo Coriolano, ainda não é possível mensurar a exata economia porque o programa é recente.

A Intermédica, dona de uma rede com 54 clínicas e 11 pronto-socorros, tem há cerca de três anos planos de saúde com médicos de referência. Os usuários de algumas modalidades do convênio da Intermédica são atendidos inicialmente por médicos generalistas dos centros clínicos que dão o diagnóstico ou encaminham para um especialista, evitando que o paciente agende consultas com vários médicos.

A Intermédica enfrentou resistência ao adotar esse modelo com um médico na linha de frente para segurar os gastos dos usuários há alguns anos. “”A Intermédica se inspirou na Kaiser Permanente [operadora americana], mas não deslanchou porque no Brasil ainda existe a cultura de ir direto ao médico””, explicou Paulo Hirai, sócio da SantéCorp, consultoria da área de saúde. Ele defende a instalação de clínicas dentro das empresas com médicos generalistas para atender aos funcionários.

Segundo Hirai, os usuários de planos de saúde fazem em média três exames por consulta. No sistema de companhias com clínicas internas, os funcionários realizam 0,2 exame por consulta – ou seja, há consultas nas quais nenhum exame é pedido pois o médico já tem o histórico do paciente.

No Brasil, a crença ainda é de que quanto maior a liberdade de escolha melhor é o plano de saúde. Mas, o custo no setor tem sofrido altas expressivas. As margens de lucro das operadoras giram na casa de 2% e têm sido cada vez mais apertadas. Os reajustes no preço dos convênios médicos têm sido muito acima da inflação. No ano passado, o IPCA ficou em 6,41% e o reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos individuais foi de 9,65% e neste ano bateu em 13,55%. Nos planos de saúde corporativos, aqueles concedidos aos funcionários, o reajuste médio chegou a 18%, mesmo com a adoção crescente de instrumentos como a coparticipação para inibir o uso do convênio médico.

Fonte: Valor Econômico

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