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Setor demanda descentralização

Publicado em 13/08/2015 • Notícias

O Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP), inaugurado em 2013 em Florianópolis, é uma das poucas instituições do país em condições de realizar testes com animais para a indústria farmacêutica conforme os padrões requeridos pelos órgãos reguladores nacionais e internacionais. Resultado de um investimento federal de US$ 15 milhões, a organização privada sem fins lucrativos mantém parcerias com várias empresas brasileiras, mas os entraves burocráticos são uma ameaça permanente às pesquisas.

“”Quase 80% da nossa energia são dedicados à burocracia””, conta o coordenador do CIEnP, João Calixto, professor titular aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A instituição é reconhecida pelo fomento às spin-offs de base tecnológica. Para o pesquisador, o Brasil ainda está muito atrasado na descentralização do setor farmacêutico. Nos países desenvolvidos, isso ocorre desde a década de 1970, quando as indústrias perceberam que não podiam verticalizar toda a produção de medicamentos.

“”Este ano perdemos muitas células importadas dos EUA, pois a alfândega não as liberou em São Paulo e elas morreram””, relata. “”A importação de roedores para os ensaios chega a demorar seis meses, com custos extraordinários e o envolvimento de vários ministérios.”” Apesar disso, ele vê boas perspectivas: “”As indústrias entenderam que é um caminho sem volta: ou evoluem para uma atuação global ou vão ter que vender o negócio para as multinacionais””.

O CIEnP colaborou com o Laboratório Achè na criação do Acheflan, anti-inflamatório extraído da erva-baleeira (Cordia verbenacea DC), planta da Mata Atlântica. Primeiro medicamento com P&D 100% brasileira, o Acheflan é líder de prescrição médica no país e já está no mercado internacional. Outros parceiros do centro são o investidor Everardo Telles, ex-dono da Ypióca, que busca criar um anticancerígeno a partir da avelós (Euphorbia tirucalli), e a empresa de biotecnologia Biozeus, focada no lançamento global de fármacos nacionais.

“”O grande problema do setor é que a energia dedicada à inovação se concentra em centros de pesquisa e pouco se pensa na sistematização de processos no dia a dia””, afirma o advogado Henrique Frizzo, sócio da área de direito público, regulatório e relacionamento com o governo da Trench, Rossi e Watanabe.

Uma das dificuldades é a morosidade na aprovação de projetos pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep): “”O prazo pode levar de dez meses a um ano, enquanto na Argentina, não chega a três meses””. A espera média de dez anos para que o Instituto Nacional de Propriedade Industrial conceda uma patente é apontada como outro gargalo, assim como regras rígidas sobre a indenização por danos aos sujeitos de pesquisa.

“”No Brasil, quase não há animais certificados para pesquisa””, diz o professor de toxicologia da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais, Carlos Alberto Tagliati.

Fonte: Valor Econômico

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