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Aumento de casos de microcefalia em bebês afeta 3 Estados

Publicado em 23/11/2015 • Notícias

Além de Pernambuco, outros dois Estados (Rio Grande do Norte e Paraíba) registraram aumento de casos de bebês com microcefalia, malformação craniana que pode levar ao retardo mental.

Dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Saúde ao Instituto de Medicina Tropical do Rio Grande do Norte mostram que foram 23 casos neste ano, a maioria deles a partir do mês de agosto –em 2012 e 2013, foram quatro casos e, em 2014, nenhum.

Segundo Kleber Luz, professor do Instituto de Medicina Tropical do RN, 80% das mães relataram ter apresentado, no início da gravidez, manchas, febres e coceiras –sintomas associados à doença zika, cujo vírus é transmitido pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti.

Ele diz que testes feitos nos bebês e nas mães não identificaram infecções que podem causar essa malformação, como toxoplasmose, citomegalovírus, herpes e sífilis.

Na Paraíba, há nove casos de bebês nascidos com microcefalia em 2015. Nos dois últimos anos, houve oito casos.

Até o momento, o Estado de Pernambuco lidera em quantidade de casos –total de 141, contra uma média de dez em anos anteriores.

O surto de microcefalia no Nordeste levou o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, a decretar emergência sanitária pela primeira vez no país desde que a possibilidade passou a existir, em 2011.

A medida permite a contratação de equipes e a compra de materiais e remédios sem licitação, por exemplo.

Infográfico: Entenda a microcefalia

As principais suspeitas para os surtos recaem sobre o zika vírus, transmitido pelo mesmo mosquito da dengue (Aedes aegypti) e que apresenta sintomas parecidos com os da “prima”.

O zika foi confirmado no Brasil somente no primeiro semestre deste ano e provocou surtos no Nordeste, que coincidem com o período de gestação dos bebês que nasceram com microcefalia.

COINCIDÊNCIA

Para o Ministério da Saúde, por enquanto, só é possível afirmar que há uma coincidência temporal entre os dois fatos. Mais investigações serão necessárias para estabelecer uma relação causal entre o zika e a microcefalia.

Para o infectologista Artur Timerman, não há razão para demora. “É só fazer o exame que pesquisa anticorpo do vírus [no bebê]. Se der negativo, já descarta a possibilidade.”

Segundo Kleber Luz, estudos experimentais feitos em ratos jovens mostram que o zika pode causar lesões no sistema nervoso central. Isso reforçaria a suspeita do vírus como causa da microcefalia.

Na literatura científica, não há estudos fazendo a associação. Mas ao menos dois trabalhos publicados neste ano relacionaram o zika a uma doença neurológica rara e paralisante chamada síndrome de Guillain-Barré.

Os casos foram registrados depois de epidemias de zika ocorridas na Polinésia Francesa e na Nova Caledônia, ambas na Oceania. No Brasil, a Bahia, que vive uma tríplice epidemia (dengue, chikungunya e zika), está investigando a relação. Só neste ano, foram 68 casos dessa síndrome.

Fonte: Folha de S.Paulo

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