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Para GE, país tem potencial para crescer em saúde e iluminação

Publicado em 10/11/2015 • Notícias

Apesar da crise, a economia brasileira ainda apresenta demanda promissora em alguns setores, com destaque para a área de infraestrutura. Esse movimento está no radar de muitos fundos de private equity.

O presidente da GE Brasil, Gilberto Peralta, destacou no evento da Apex que o Brasil é o terceiro maior mercado para a gigante americana de bens de capital, atrás dos Estados Unidos e da China. Com nove mil funcionários, a empresa lançou no ano passado seu primeiro centro de tecnologia na América Latina, localizado na ilha de Bom Jesus (RJ), próximo à UFRJ e ao centro tecnológico da Petrobras.

O investimento foi de US$ 250 milhões na inauguração. A empresa está agora iniciando a segunda etapa de expansão, quando terá até 400 pessoas trabalhando ali em 2020.

“Já temos uma patente registrada para a produção de etanol celulósico, o foco do centro é em biocombustíveis e em óleo e gás, setores em que o Brasil tem grande competitividade. Fizemos esse investimento porque olhamos o longo prazo e as demandas e as oportunidades que aqui existem.”

Com o centro, a empresa conseguiu repatriar mais de 30 pesquisadores que trabalhavam em outros núcleos de pesquisa da GE no mundo. “O Brasil tem muita oportunidade”, afirmou. No ano passado, a receita da empresa chegou a US$ 4,4 bilhões, um patamar que deve se repetir neste ano, por conta da situação econômica. O montante exclui a exportação de serviços, que chegou a US$ 1,5 bilhão. “Nós buscamos construir uma rede de fornecedores”, disse.

Na área de óleo e gás, a empresa tem buscado fomentar a produção local de alguns equipamentos. Com investimento de US$ 20 milhões, a empresa iniciou operações de packaging e testes no Brasil de equipamentos de turbomáquinas, como turbinas a gás de geração, compressores de motores e compressores de turbinas a gás. A nova operação ainda fornece o principal equipamento de turbomáquinas para quatro plataformas flutuantes em operação na área de cessão onerosa nos campos de pré-sal da Bacia de Santos, em São Paulo. “O mercado brasileiro ainda tem muitas oportunidades também na área de iluminação e de saúde”, afirmou Peralta.

Nos últimos quatro anos, a GE fez duas aquisições no mercado de saúde: em 2012, anunciou a compra da XPRO, que fabrica máquinas de raio-x utilizadas nos segmentos de cardiologia, neurologia e radiologia terapêutica; em 2013 foi a vez da Omnimed, empresa mineira que desenvolve e comercializa equipamentos médicos destinados à monitoração de funções vitais de pacientes, com soluções utilizadas em hospitais e clínicas desde triagem médica até procedimentos cirúrgicos ou em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). “Esse é um modelo de inovação reversa, estamos agora exportando esses equipamentos para a Índia e a América Latina, e isso deve crescer com um câmbio a R$ 4 por dólar, o que dá competitividade”, destacou o executivo.

Essas oportunidades estão no radar da indústria de private equity, que está ativa, mesmo com a crise. A desvalorização cambial e a desaceleração da economia reduziram os múltiplos e tornaram investimentos atraentes. No ano passado, o capital comprometido chegou a quase R$ 130 bilhões, sendo que R$ 85 bilhões foram efetivamente aplicados, o que resultou em cerca de R$ 45 bilhões não aplicados (dry powder, no jargão do segmento). Os investimentos feitos pelas empresas apoiados pelos fundos somaram R$ 13,3 bilhões em 2014, montante que deverá crescer neste ano, estima Fernando Borges, presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (Abvcap). “A indústria está ativa.”

Os desinvestimentos ficaram em R$ 4,7 bilhões ano passado, queda em relação aos R$ 6 bilhões apurados em 2012 e os R$ 5,7 bilhões de 2013. “A bolsa tem sido uma saída clássica para os fundos, mas o mercado tem estado difícil, o que explica essa queda”, disse o presidente da Abvcap. Cerca de três terços dos investimentos estão ligados à abertura de capital. Entre as áreas mais procuradas pelos fundos estão o setor de infraestrutura, com destaque para os segmentos de óleo e gás, logística e energia, que respondem por cerca de metade dos investimentos.

O presidente da Antera Gestão de Recursos, Robert Binder, disse que, mês passado, fechou o desinvestimento em uma das companhias apoiadas por um dos fundos gerenciados pela sua gestora. “Uma empresa de capital semente foi adquirida por outro elo da cadeia de capital de risco, o que mostra como a cadeia está ativa”, destacou.

A empresa negociada foi a Geofusion. O negócio envolve a chegada do gestor de fundos de participações DGF Investimentos e a saída do Criatec, criado com recursos do BNDES e Banco do Nordeste, que tinha aplicado recursos em 2011. O principal produto da Geofusion é o OnMaps, um serviço de mapas que reúne informações de fontes como IBGE, Ministério do Trabalho e consultorias, para exibir perfis da população e do consumo nas cidades brasileiras. Com esse sistema, as empresas podem planejar onde abrir uma nova loja ou concentrar esforços de suas equipes de vendas.

Fonte: Valor Econômico

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